A China anunciou nesta terça-feira (30) uma tarifa preliminar de 73,5% sobre as importações de amido de ervilha do Canadá, em mais um movimento de pressão comercial entre Pequim e parceiros ocidentais. A cobrança passa a valer em 1º de julho e atinge um insumo usado pelas indústrias de alimentos, ingredientes e proteínas vegetais.
A medida resulta de uma investigação antidumping aberta há mais de dez meses pelas autoridades chinesas. Esse tipo de processo busca avaliar se um produto entra no mercado local a preço artificialmente baixo, com potencial de prejudicar fabricantes domésticos. Como a alíquota ainda é preliminar, Pequim pode mantê-la, reduzi-la ou elevá-la ao concluir o caso.
Na prática, a tarifa torna o amido canadense muito menos competitivo no mercado chinês e pode levar compradores locais a buscar fornecedores alternativos. O Canadá é um ator relevante na cadeia global de ervilhas, matéria-prima usada tanto em alimentos processados quanto em produtos associados ao mercado de proteína vegetal.
Pequim amplia uso de barreiras comerciais
A decisão ocorre em uma fase de maior ativismo comercial da China. Na véspera, Pequim restringiu exportações para 20 entidades japonesas, em um gesto que elevou a tensão com Tóquio. O episódio se soma a uma sequência de disputas tarifárias envolvendo grandes economias, da União Europeia aos Estados Unidos, em um ambiente internacional cada vez mais marcado por retaliações setoriais.
No caso canadense, a escolha do amido de ervilha tem peso simbólico e econômico. Embora não tenha a dimensão de setores como energia, aço ou tecnologia, o produto integra uma cadeia em expansão e sensível a custos. Uma tarifa de 73,5% pode deslocar contratos, reduzir margens de exportadores e abrir espaço para concorrentes de outros mercados.
Medidas antidumping são permitidas pelas regras da Organização Mundial do Comércio quando um governo demonstra que importações desleais causam dano à indústria nacional. A disputa, porém, costuma ir além da técnica: em períodos de atrito diplomático, tarifas desse tipo também funcionam como instrumento de pressão política.
Canadá pode contestar a decisão
Ottawa ainda não apresentou uma reação pública à cobrança. O governo canadense pode responder por via diplomática, recorrer dentro do próprio processo administrativo chinês ou levar o caso aos mecanismos de solução de controvérsias da OMC, caso entenda que a tarifa viola regras multilaterais.
Até a decisão final da investigação, importadores chineses passam a operar com a alíquota provisória. O próximo passo é a conclusão do processo em Pequim, que definirá se a tarifa de 73,5% vira permanente ou será recalculada.










