segunda-feira, junho 29
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Economia

Suprema Corte dos EUA rejeita demissão de diretora do Fed e impõe limite a Trump

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Em setembro de 2025, a Corte de Apelações do Distrito de Columbia negou o pedido da Casa Branca, o que levou o Departamento de Justiça a buscar uma liminar na Suprema Corte.
  • O histórico do caso Lisa Cook, primeira mulher negra a integrar o conselho do Fed, foi indicada por Joe Biden em 2022 e confirmada pelo Senado.
  • A Suprema Corte manteve Cook no posto enquanto o mérito da disputa judicial ainda tramita em instâncias inferiores.
  • O mandato de 14 anos a protege de demissões arbitrárias, mas Trump argumentou que a acusação de fraude justificava a remoção imediata.
  • O próximo passo no caso é a análise do mérito pela Suprema Corte, que pode definir se o presidente tem ou não autoridade para demitir membros do Fed.

A Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou nesta segunda-feira (29) a tentativa do presidente Donald Trump de demitir Lisa Cook, diretora do Federal Reserve (Fed), em uma decisão que preserva — ao menos por ora — a independência do banco central americano. Por 5 votos a 4, os ministros impediram a remoção imediata de Cook, nomeada pelo ex-presidente Joe Biden em 2022 e com mandato garantido até 2038.

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O caso não tem precedente desde a criação do Fed, em 1913: nenhum presidente havia tentado destituir um dirigente do conselho com base em argumentos políticos — e sido bloqueado judicialmente. Trump alegou que Cook teria cometido fraude hipotecária antes de assumir o cargo — acusação não verificada por nenhuma investigação independente e rejeitada pela própria diretora. A Suprema Corte manteve Cook no posto enquanto o mérito da disputa ainda tramita nas instâncias inferiores.

A decisão representa um revés para Trump, que desde agosto de 2025 busca remover Cook por decreto. A Casa Branca recorreu à Suprema Corte após a Corte de Apelações do Distrito de Columbia negar o pedido em setembro — e a maioria dos ministros concluiu que o presidente não tem poder absoluto para demitir integrantes do Fed antes do término do mandato sem causa comprovada.

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O histórico do embate

Lisa Cook, primeira mulher negra a integrar o conselho do Fed, foi indicada por Joe Biden em 2022 e confirmada pelo Senado. O mandato de 14 anos foi desenhado para proteger dirigentes do banco central de pressões políticas — mas Trump argumentou que a acusação de fraude justificaria a remoção imediata. Após a derrota na Corte de Apelações, o Departamento de Justiça buscou uma liminar diretamente na Suprema Corte. A defesa de Cook classificou a tentativa como ataque direto à autonomia do banco central americano.

Durante audiência em janeiro de 2026, ministros de diferentes espectros ideológicos demonstraram ceticismo diante dos argumentos do governo. A decisão desta segunda-feira, embora provisória, sinaliza que a Corte não aceita o uso de acusações não verificadas para interferir na política monetária. O Fed é responsável por definir os juros básicos dos EUA — e sua influência se estende ao custo do crédito em todo o mundo.

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O que está em jogo para o Brasil e o mundo

A independência do Fed é considerada pilar da estabilidade financeira internacional. Qualquer interferência política sobre seus dirigentes abala a confiança de investidores e eleva o prêmio de risco de ativos em mercados emergentes — incluindo o Brasil. A decisão afasta, ao menos temporariamente, o risco de politização da política monetária americana, o que tende a conter a volatilidade do dólar e dos juros globais.

Para o Brasil, o impacto é indireto mas real: o Fed influencia o custo do dinheiro no mundo, e a percepção de menor risco regulatório favorece a entrada de capitais estrangeiros. Em paralelo, Trump acumula reveses em outras batalhas judiciais — de restrições eleitorais a disputas sobre competências regulatórias — num padrão de contenção ao poder presidencial pelos tribunais americanos.

O próximo passo é a análise do mérito pela Suprema Corte, que pode definir de forma definitiva se o presidente tem ou não autoridade para demitir membros do Fed. A expectativa é que os ministros emitam uma decisão final até o fim do ano legislativo. Até lá, Lisa Cook permanece no cargo e o Fed mantém sua direção colegiada intacta.


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