O governo central registrou déficit primário de R$ 53,257 bilhões em maio de 2026, informou o Tesouro Nacional nesta segunda-feira (29). O valor representa uma piora de 32,3% em relação ao mesmo mês de 2025, quando o rombo foi de R$ 40,249 bilhões, e marca o pior resultado de maio em quatro anos.
O dado reforça a deterioração das contas públicas e pressiona a trajetória da dívida, com impacto direto sobre juros, inflação e crédito para famílias e empresas. No acumulado em 12 meses até maio, o déficit primário atingiu R$ 142,3 bilhões, ou 1,06% do Produto Interno Bruto (PIB) — o maior patamar desde 2022, quando o país ainda se recuperava dos efeitos da pandemia.
O resultado veio em linha com a expectativa do mercado, que previa déficit de R$ 53 bilhões, conforme consenso de analistas acompanhado por agências de notícias. Mesmo assim, a avaliação de economistas é cautelosa: apesar de esperado, o número confirma que os gastos continuam crescendo mais rápido que as receitas, num momento em que a meta fiscal do ano exige superávit de 0,25% do PIB — com banda de tolerância que permite déficit de até 0,25% do PIB, o equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões.
O que pesou no resultado de maio
A principal pressão veio da Previdência Social, que registrou déficit de R$ 60,655 bilhões no mês, superando com folga o resultado positivo do Tesouro Nacional, que teve superávit de R$ 7,254 bilhões. O Banco Central contribuiu com superávit marginal de R$ 144 milhões.
No comparativo com maio de 2025, a despesa total do governo central cresceu 9,4% em termos reais (R$ 21,5 bilhões a mais), enquanto a receita líquida avançou apenas 5,5% (R$ 10,4 bilhões). O ritmo de expansão das despesas foi quase o dobro do das receitas — sinal estrutural de desequilíbrio que segue pressionando o resultado primário.
No acumulado de janeiro a maio, o déficit do governo central soma R$ 44,385 bilhões — valor que, nos primeiros cinco meses do ano, já supera o limite inferior da banda de tolerância da meta anual de 2026, fixada em R$ 34,3 bilhões de déficit. Em nota, a equipe econômica reforçou que o cumprimento da meta depende de medidas de contenção já em curso, como o contingenciamento orçamentário.
Dívida pública segue em alta
A Dívida Pública Federal totalizou R$ 9,032 trilhões em maio, alta de 2,66% ante abril. O crescimento é consequência direta dos déficits seguidos: na ausência de superávit primário, o governo precisa emitir novos títulos para cobrir os gastos, elevando o estoque da dívida e pressionando as taxas de juros futuras.
Para o cidadão, o quadro se traduz em custos concretos: juros mais altos encarecem o crédito imobiliário, o financiamento de veículos e as dívidas no cartão. Além disso, a percepção de risco fiscal pode inibir investimentos produtivos e reduzir o ritmo da atividade econômica, com reflexos no emprego e na renda.
O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, já reconheceu que o gatilho fiscal do arcabouço limita reajustes salariais de servidores à inflação em 2027 — sinal de que o espaço para novos gastos está no limite.
O que esperar para o restante do ano
Nos próximos meses, o mercado acompanha de perto os dados de junho e julho, que tradicionalmente testam o cumprimento da meta fiscal. O governo tem até o fim de agosto para divulgar o relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas, que pode indicar necessidade de novo contingenciamento. Com a dívida pública acima de R$ 9 trilhões e o consumidor já sentindo o crédito mais caro, o custo do desequilíbrio fiscal deixou de ser debate de economista para virar realidade no bolso.











