O Banco BMG transferiu uma carteira de R$ 750 milhões em cartões de crédito consignado ao Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) Consig Premium I, em operação sem retenção de riscos e benefícios.
O portfólio cedido é composto por operações de cartões de crédito consignado e cartões consignado benefício — produtos ligados ao desconto em folha de aposentados, pensionistas e trabalhadores com margem disponível. O pagamento, como regra geral, é efetuado pelo INSS.
O modelo sem retenção de risco é o ponto central da operação: o BMG transfere os direitos creditórios ao fundo e deixa de manter exposição econômica aos contratos cedidos. Para o banco, isso libera capital e reduz a carga de risco na balança, abrindo espaço para originar novos créditos. Os termos financeiros completos da cessão não foram divulgados.
Mercado de R$ 690 bilhões
O crédito consignado público é um dos pilares do sistema financeiro brasileiro, com carteira de quase R$ 690 bilhões. A modalidade combina baixíssima inadimplência e ancoragem em risco soberano, o que a torna atraente para o mercado de capitais. Os cartões consignados representam cerca de 40% desse mercado e somam aproximadamente 20 milhões de contratos ativos, em sua maior parte ligados a beneficiários do INSS.
Para os beneficiários que usam o cartão consignado, a cessão não implica mudança automática em juros, taxas, margem consignável ou condições de pagamento. A transferência de carteira entre banco e fundo preserva os contratos individuais dos clientes.
Foco no negócio principal
A operação se insere em um movimento mais amplo do BMG de ajuste estratégico. O banco vendeu a BMG Seguros ao Banco Daycoval, em transação associada ao foco em linhas centrais de negócio. Antes disso, o BMG firmou acordo com o INSS para ajustar procedimentos em operações de empréstimo consignado e restituir mais de R$ 7 milhões a beneficiários por cobranças indevidas, conforme informou o próprio instituto.
Operações de cessão como essa refletem a sofisticação do mercado de crédito estruturado no Brasil. Bancos transferem carteiras a fundos para liberar capital, diversificar fontes de funding e gerir exposição — enquanto investidores ganham acesso a ativos com baixa inadimplência e lastro em folha de pagamento do setor público.











