O cantor David Clayton-Thomas, vocalista do Blood, Sweat & Tears, morreu nesta quinta-feira (25), aos 84 anos, em Toronto, no Canadá. Com voz marcante e timbre rasgado, ele foi o responsável pelos maiores sucessos do grupo, que misturou jazz, rock e metais em um dos projetos mais originais do final dos anos 1960.
Nascido em Toronto, Clayton-Thomas chegou ao Blood, Sweat & Tears em 1968, substituindo o vocalista original Al Kooper. Sua entrada coincidiu com o momento de maior projeção comercial da banda. O segundo álbum do grupo, lançado em 1969, alcançou o topo da parada americana e permaneceu nas charts por mais de dois anos.
Foi nessa fase que o grupo emplacou sucessos como “Spinning Wheel”, “And When I Die” e a regravação de “You’ve Made Me So Very Happy”, de Brenda Holloway. As três faixas entraram para o Top 10 americano e ajudaram a definir o som do que se convencionou chamar de jazz-rock — uma fusão de metais, arranjos sofisticados e energia do rock que conquistou o público e abriu caminho para bandas como Chicago e Tower of Power.
De Toronto ao Carnegie Hall
Antes de se juntar ao Blood, Sweat & Tears, Clayton-Thomas já tinha carreira solo no Canadá. Sua voz potente e a presença de palco fizeram dele a peça que faltava para o grupo transpor a barreira do underground e alcançar o grande público. Com ele no microfone, a banda se apresentou no Carnegie Hall, no Fillmore East e em festivais como o Newport Jazz Festival.
O Blood, Sweat & Tears também tocou atrás da Cortina de Ferro em uma turnê patrocinada pelo Departamento de Estado americano — episódio que gerou polêmica na época, mas consolidou o grupo como embaixador cultural de um som que misturava gêneros como poucos conseguiram.
Legado do jazz-rock
Clayton-Thomas deixou o Blood, Sweat & Tears em 1972 para seguir carreira solo, mas retornou ao grupo em diversas ocasiões nas décadas seguintes. Seu nome permaneceu ligado à identidade da banda, que continuou se apresentando com formações renovadas. O cantor seguiu gravando e fazendo shows até idades avançadas, mantendo o repertório clássico vivo para novas gerações de ouvintes.
A morte de Clayton-Thomas encerra um capítulo do jazz-rock dos anos 1960 e 1970, gênero que ele ajudou a popularizar com uma combinação rara de sofisticação musical e apelo comercial. Faixas como “Spinning Wheel” seguem em rotação em rádios de clássicos e em playlists de streaming, mantendo a voz do cantor presente no imaginário musical contemporâneo.










