A Justiça decretou a prisão do vereador Senival Moura (PT) nesta quinta-feira (25), em São Paulo, na Operação Última Parada, que apura suspeita de lavagem de dinheiro do PCC por meio da empresa de ônibus Transunião. O presidente da companhia, Lourival de França Monário, também foi detido.
A ação, conduzida pelo Deic (Polícia Civil) e pelo Gaeco do Ministério Público de São Paulo (MPSP), mapeia movimentação de R$ 1 bilhão no período investigado. O inquérito aponta repasses de R$ 182 milhões da Prefeitura de São Paulo à Transunião, pagamentos semanais irregulares de R$ 70 mil e R$ 25 milhões sem origem comprovada.
A Justiça decretou ainda intervenção na Transunião, ampliando o raio de ação da operação sobre a gestão do transporte público na capital. O MPSP acompanha o caso desde 2022 em unidade especializada.
Caixa dois e histórico de investigação
A investigação rastreia suspeita de desvio de recursos da empresa para caixa dois da campanha de reeleição de Senival Moura em 2020. O levantamento mapeia a aproximação entre fluxos de contratos públicos e relações externas à gestão da companhia, indicando que o esquema pode ter antecedentes anteriores à operação atual.
Foro privilegiado e próximos passos
Como vereador, Senival Moura tem foro por prerrogativa de função — o que significa que eventuais denúncias formais dependeriam de decisão de tribunal superior. A prisão decretada agora é uma medida cautelar, e a situação jurídica de cada detido será definida conforme o andamento processual, com manifestação das defesas e decisão sobre bloqueios e novos mandados.
O caso projeta pressão sobre a governança do transporte coletivo em São Paulo, setor com alto volume diário de passageiros e repasses municipais recorrentes. Investigações anteriores já apontaram a infiltração do PCC em empresas e instituições públicas no estado, e a operação sinaliza endurecimento sobre controles de contratos e rastreabilidade de pagamentos no sistema de mobilidade urbana.










