O Federal Reserve aprovou todos os 32 maiores bancos dos Estados Unidos no teste de estresse anual, abrindo caminho para dividendos e recompras de ações mesmo sob um cenário hipotético de desemprego em 10%.
O resultado, divulgado nesta terça-feira (24), confirma que nenhuma instituição ficou abaixo do mínimo de Common Equity Tier 1 (CET1) na simulação adversa. Em termos práticos, os conglomerados demonstraram capacidade de absorver perdas sem comprometer a operação básica do sistema financeiro.
A aprovação, contudo, não significa liberdade plena. O Fed congelou em 1.º de fevereiro os buffers de capital para 2026, travando saltos automáticos nas distribuições. Os bancos podem pagar dividendos e recomprar ações, mas estritamente dentro do teto definido pelo regulador.
Como funciona o teste de estresse
Criado após a crise financeira de 2008, o mecanismo submete os maiores conglomerados americanos a choques hipotéticos — recessão profunda, desemprego elevado, queda acentuada dos mercados — para verificar se o capital próprio absorve perdas sem quebrar. O objetivo é reduzir a chance de novo socorro público a bancos sistêmicos.
Nesta rodada, o Fed avaliou 32 instituições sob cenário adverso e nenhuma registrou quebra de requisito. O cálculo é padronizado, o que permite comparar conglomerados distintos sob o mesmo critério de risco.
Bancos anunciam retorno ao acionista
Horas após a divulgação do resultado, o JPMorgan Chase anunciou um programa de recompra de ações de até US$ 50 bilhões — o maior entre os bancos testados e sinal do tamanho do retorno possível para quem passou no teste. Outros conglomerados devem divulgar calendários de dividendos e recompras nas próximas semanas.
O impacto agregado sobre o fluxo de caixa do setor só se materializa quando cada banco formaliza volume e datas em seus canais oficiais. Até lá, a aprovação reduz a incerteza operacional e afasta, para este ciclo, qualquer perspectiva de aporte estatal.
Próximos passos
O Fed mantém aberta consulta pública sobre a metodologia dos testes, mas não propôs mudanças para a próxima rodada. O padrão atual segue vigente — cenário com desemprego de 10% e buffer congelado — e, com ele, o teto de retorno ao acionista definido nesta semana. Só uma alteração no enquadramento do regulador abriria espaço para novo limite de distribuição.











