O setor público criou 1,09 milhão de vagas formais nos últimos 14 meses até fevereiro de 2026, superando o setor privado, que abriu 1,041 milhão de postos no mesmo período. Os dados são da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego nesta quarta-feira (24).
É a primeira vez desde 2013 que a administração pública lidera a geração de empregos formais no país, segundo o histórico do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). A inversão altera a leitura do ciclo recente do mercado de trabalho: a expansão dos vínculos formais passou a ser puxada por contratações estatais, e não pela iniciativa privada.
Em estoque, o setor privado mantém larga vantagem. Em fevereiro, havia 47,97 milhões de vínculos formais no privado contra 13,81 milhões no público. A mudança observada é de composição do fluxo de novas contratações, não de substituição da base privada.
Expansão fiscal e mercado de trabalho
A liderança do setor público na criação de vagas coincide com um período de expansão fiscal do governo federal, que elevou o ritmo de contratações em órgãos da administração direta e indireta. Para analistas de política pública, o dado reposiciona o debate sobre o custo estrutural da folha estatal e a sustentabilidade das contas públicas.
Para trabalhadores e empresas, o efeito prático está na redistribuição da oferta de emprego: o fluxo de contratação formal migrou em peso maior para a administração pública no período, reduzindo o peso relativo do privado na geração de novos postos.
Próximos passos
Os próximos boletins da RAIS e do Caged vão definir se a liderança pública se mantém após fevereiro. Caso haja detalhamento por região e esfera de governo — federal, estadual e municipal —, será possível conectar a inversão a decisões orçamentárias específicas e avaliar o impacto fiscal com maior precisão.










