A Polícia Federal atribui a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a movimentação de até R$ 114,6 milhões em um caixa paralelo usado para bancar despesas de alto valor em cinco meses de 2025. O relatório, tornado público nesta quarta-feira (17) no Supremo Tribunal Federal, descreve gastos com aviões, imóveis, galerias de arte e pagamentos a pessoas apontadas como integrantes da estrutura investigada.
O caso amplia a pressão sobre Vorcaro porque desloca a investigação para além da situação do banco. A PF relaciona os gastos suspeitos a uma rede que, segundo o relatório, teria operadores financeiros, intermediários políticos e acesso indevido a sistemas do Ministério Público Federal e da própria corporação. As suspeitas ainda dependem de análise judicial e não representam condenação.
Vorcaro assumiu o controle do antigo Banco Máxima em outubro de 2019 e rebatizou a instituição como Banco Master. Sob sua gestão, os ativos do banco saltaram de R$ 3,7 bilhões em 2019 para R$ 82 bilhões em 2024, avanço de 2.123%. É esse crescimento, combinado à suspeita de despesas feitas fora da contabilidade regular, que dá peso econômico e regulatório ao caso.
PF aponta operador chamado de Sicário
Um dos nomes centrais citados no relatório é Luiz Phillipi Machado de Morão, identificado pela PF como “Sicário”. Ele aparece como braço direito de Vorcaro na estrutura investigada. A corporação afirma que havia pagamento mensal de R$ 1 milhão a Morão e de R$ 400 mil a agentes da própria PF, suspeita que eleva o risco penal do caso por envolver possível corrupção interna.
A cifra de R$ 114,6 milhões se refere ao período de cinco meses de 2025. A PF afirma que os recursos financiaram despesas privadas e ativos de luxo, incluindo aeronaves, imóveis e obras ou negociações ligadas a galerias de arte. O ponto central para os investigadores é saber se esses pagamentos passaram por uma contabilidade paralela e se serviram para sustentar influência, proteção ou acesso privilegiado a informações do Estado.
Relatório leva caso ao circuito político de Brasília
O relatório também cita uma empresa ligada ao senador Ciro Nogueira em uma operação de compra de ações de Vorcaro com desconto de 92%, com expectativa de recebimento de dividendos. A menção coloca a investigação no centro de Brasília, embora a existência de vínculo político, por si só, não configure crime.
A PF investiga ainda conexões envolvendo Flávio Bolsonaro e o governador Cláudio Castro. As citações aparecem no contexto das relações políticas atribuídas ao grupo, mas não significam que todos os citados tenham cometido irregularidades. O avanço sobre autoridades com foro privilegiado explica a tramitação no Supremo.
A frente mais sensível para o Estado é a suspeita de acesso indevido a sistemas do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Se confirmada, a invasão ou consulta irregular a bases oficiais indicaria que a rede investigada não se limitava a movimentações financeiras privadas, mas buscava informação institucional protegida.
Delação de Vorcaro pode definir alcance da investigação
A investigação começou com a Operação Compliance Zero, deflagrada em julho de 2024, que levou à prisão de Vorcaro. Em 11 de maio de 2026, ele apresentou proposta de delação premiada. A abertura do relatório no STF dá publicidade a parte das suspeitas e aumenta a pressão para que o tribunal defina quais frentes podem avançar, sobretudo quando envolvem parlamentares e autoridades citadas.
Na prática, o próximo passo está nas mãos do Supremo: caberá ao tribunal avaliar a proposta de colaboração, delimitar eventuais diligências e decidir se há elementos para medidas contra pessoas com foro privilegiado. Para o Banco Master, o efeito imediato é reputacional e regulatório; para Vorcaro, o relatório coloca sob escrutínio a origem, o destino e a finalidade dos R$ 114,6 milhões apontados pela PF.











