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Economia

Trump anuncia acordo com Irã e põe petróleo à espera de reabertura de Ormuz

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Mídia estatal iraniana diz que Teerã ainda não tomou decisão final sobre o texto.
  • Paquistão atua como mediador nas conversas entre os dois países.
  • Estreito de Ormuz segue no centro da negociação por concentrar 20% do petróleo mundial.
  • Reabertura da rota pode aliviar o Brent e afetar combustíveis no Brasil.

Donald Trump afirmou neste domingo (14) que Estados Unidos e Irã estão perto de assinar um acordo para encerrar o conflito entre os dois países. A declaração aumentou a expectativa de trégua, mas Teerã manteve cautela: a mídia estatal iraniana informou que ainda não há decisão final sobre a assinatura.

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O presidente americano disse, em publicação na Truth Social, que o documento poderia ser firmado ainda neste domingo. Do lado iraniano, a sinalização foi mais contida. Um porta-voz indicou que o acerto pode sair nos próximos dias, sem endossar o cronograma anunciado por Trump.

A diferença entre as duas versões pesa porque o acordo não é apenas diplomático. O Irã fechou o Estreito de Ormuz após a escalada militar iniciada em fevereiro, bloqueando uma rota por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. A reabertura do canal pode reduzir o prêmio de risco sobre o barril e aliviar parte da pressão sobre combustíveis em países importadores ou expostos ao Brent, como o Brasil.

Ormuz transforma a negociação em teste para o preço do petróleo

O conflito começou em 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado de Estados Unidos e Israel ao Irã matou o aiatolá Ali Khamenei. A resposta iraniana incluiu o fechamento de Ormuz, ponto estratégico entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã e uma das passagens marítimas mais sensíveis para o mercado global de energia.

Desde então, cada sinal de avanço ou recuo nas conversas mexe com as cotações. Em 8 de junho, após o rompimento do cessar-fogo e nova troca de ataques entre Irã e Israel, o Brent subiu 4,9% e chegou a US$ 97,65 por barril. O WTI avançou 4,5%, para US$ 94,64. Dias depois, a decisão de Trump de cancelar uma ofensiva militar e indicar progresso nas negociações levou o Brent a recuar cerca de 4%.

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Esse movimento mostra como o mercado trata Ormuz: mais do que a assinatura em si, investidores acompanham se navios petroleiros voltarão a circular sem ameaça de interrupção. Enquanto a rota seguir sob risco, o barril tende a carregar um adicional ligado à segurança do fornecimento.

Teerã segura a confirmação e mantém Trump sob teste

O Paquistão atua como mediador entre Washington e Teerã e se tornou o canal diplomático mais visível depois da escalada militar da última semana. A intermediação dá lastro político às conversas, mas ainda não substitui uma confirmação formal dos governos sobre termos, garantias e calendário.

A principal incerteza está no alcance do compromisso. Trump trata o acerto como próximo e tenta impor ritmo público à negociação. O Irã, por sua vez, evita validar a data anunciada pelo presidente americano antes de fechar as condições. Israel, que participou do ataque inicial de fevereiro, também não apresentou uma posição pública detalhada sobre o arranjo em discussão.

Para o Brasil, o efeito mais concreto passa pelo petróleo. Uma reabertura estável de Ormuz tende a reduzir a pressão internacional sobre o Brent e pode conter reajustes ligados a derivados importados. Se a assinatura atrasar ou se o acordo não garantir a circulação na rota, o mercado deve voltar a precificar risco de oferta.

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O próximo passo é a formalização do texto por Washington e Teerã. Sem isso, o acordo permanece como uma aposta política de Trump diante de uma resposta iraniana mais cautelosa — e o preço do petróleo continuará reagindo ao grau de segurança em Ormuz.