Donald Trump afirmou neste domingo (14) que Estados Unidos e Irã estão perto de assinar um acordo para encerrar o conflito entre os dois países. A declaração aumentou a expectativa de trégua, mas Teerã manteve cautela: a mídia estatal iraniana informou que ainda não há decisão final sobre a assinatura.
O presidente americano disse, em publicação na Truth Social, que o documento poderia ser firmado ainda neste domingo. Do lado iraniano, a sinalização foi mais contida. Um porta-voz indicou que o acerto pode sair nos próximos dias, sem endossar o cronograma anunciado por Trump.
A diferença entre as duas versões pesa porque o acordo não é apenas diplomático. O Irã fechou o Estreito de Ormuz após a escalada militar iniciada em fevereiro, bloqueando uma rota por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. A reabertura do canal pode reduzir o prêmio de risco sobre o barril e aliviar parte da pressão sobre combustíveis em países importadores ou expostos ao Brent, como o Brasil.
Ormuz transforma a negociação em teste para o preço do petróleo
O conflito começou em 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado de Estados Unidos e Israel ao Irã matou o aiatolá Ali Khamenei. A resposta iraniana incluiu o fechamento de Ormuz, ponto estratégico entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã e uma das passagens marítimas mais sensíveis para o mercado global de energia.
Desde então, cada sinal de avanço ou recuo nas conversas mexe com as cotações. Em 8 de junho, após o rompimento do cessar-fogo e nova troca de ataques entre Irã e Israel, o Brent subiu 4,9% e chegou a US$ 97,65 por barril. O WTI avançou 4,5%, para US$ 94,64. Dias depois, a decisão de Trump de cancelar uma ofensiva militar e indicar progresso nas negociações levou o Brent a recuar cerca de 4%.
Esse movimento mostra como o mercado trata Ormuz: mais do que a assinatura em si, investidores acompanham se navios petroleiros voltarão a circular sem ameaça de interrupção. Enquanto a rota seguir sob risco, o barril tende a carregar um adicional ligado à segurança do fornecimento.
Teerã segura a confirmação e mantém Trump sob teste
O Paquistão atua como mediador entre Washington e Teerã e se tornou o canal diplomático mais visível depois da escalada militar da última semana. A intermediação dá lastro político às conversas, mas ainda não substitui uma confirmação formal dos governos sobre termos, garantias e calendário.
A principal incerteza está no alcance do compromisso. Trump trata o acerto como próximo e tenta impor ritmo público à negociação. O Irã, por sua vez, evita validar a data anunciada pelo presidente americano antes de fechar as condições. Israel, que participou do ataque inicial de fevereiro, também não apresentou uma posição pública detalhada sobre o arranjo em discussão.
Para o Brasil, o efeito mais concreto passa pelo petróleo. Uma reabertura estável de Ormuz tende a reduzir a pressão internacional sobre o Brent e pode conter reajustes ligados a derivados importados. Se a assinatura atrasar ou se o acordo não garantir a circulação na rota, o mercado deve voltar a precificar risco de oferta.
O próximo passo é a formalização do texto por Washington e Teerã. Sem isso, o acordo permanece como uma aposta política de Trump diante de uma resposta iraniana mais cautelosa — e o preço do petróleo continuará reagindo ao grau de segurança em Ormuz.











