sábado, junho 13
MERCADO
IBOVESPA 171.133 pts▲ 1,49%DOW JONES 51.202 pts▲ 2,57%NASDAQ 25.889 pts▲ 2,86%S&P 500 7.431 pts▲ 2,26%DÓLAR R$ 5,07▼ 1,12%EURO R$ 5,88▼ 0,82%BITCOIN R$ 327.381▲ 1,30%ETHEREUM R$ 8.538▲ 0,79%SELIC 14,50%CDI 14,40%IPCA 12M 4,72%
Publicidade
Economia

Brasil abre rodada técnica com EUA para tentar conter tarifa de até 37,5%

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Tarifas podem atingir produtos brasileiros em investigação comercial dos Estados Unidos
  • MDIC confirmou o encontro, mas não informou resultado concreto nem lista final de itens afetados
  • Exportadores ainda aguardam definição sobre alívio, escalonamento ou recuo da medida
  • Nova rodada técnica deve discutir a proposta tarifária americana na próxima semana

Brasil e Estados Unidos abriram uma nova fase de negociação para tentar conter a tarifa de até 37,5% que o governo Donald Trump avalia aplicar sobre produtos brasileiros. A reunião ocorreu por videoconferência neste sábado (13) e colocou na mesa a proposta americana, ainda sem acordo anunciado.

Publicidade

Pelo lado brasileiro, participaram o ministro Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, e os embaixadores Audo Faleiro e Maurício Lyrio. Do lado americano, a conversa foi conduzida por Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos e principal negociador da pauta tarifária no governo Trump.

O encontro não produziu um anúncio de recuo, alívio imediato ou lista final de produtos atingidos. A decisão prática foi transferir a discussão para uma rodada técnica na próxima semana, quando as equipes devem tratar de setores, percentuais e eventual desenho de um acordo parcial.

Para exportadores brasileiros, esse é o ponto central: a tarifa máxima de 37,5% ainda aparece como proposta em negociação, não como cobrança já aplicada. Enquanto o formato final não é definido, empresas que vendem ao mercado americano ficam sem clareza sobre custo, competitividade e planejamento de embarques.

Tarifa nasce de investigação comercial dos EUA

A pressão americana está ligada a uma investigação da Seção 301, instrumento usado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos para examinar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses do país. É esse órgão, conhecido pela sigla USTR, que conduz a negociação do lado americano.

Publicidade

A conversa deste sábado dá sequência a um canal aberto em maio, quando Rosa e Greer tiveram a primeira reunião direta sobre o tema. Na ocasião, o ministro brasileiro defendeu uma saída “parcial e progressiva”, fórmula que indica a tentativa de reduzir o alcance das medidas em etapas, por setor ou por produto.

O governo brasileiro tenta evitar que a disputa se transforme em um tarifaço amplo contra exportações industriais. A estratégia, por ora, é manter a negociação política aberta e empurrar os pontos mais sensíveis para a mesa técnica: quais produtos entram na lista, qual percentual será aplicado e se haverá exceções.

Aço e alumínio concentram a maior preocupação

Aço e alumínio aparecem entre os setores mais expostos à pressão tarifária. São cadeias com peso industrial em Estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, além de forte ligação com fornecedores, logística e empregos de maior remuneração na indústria.

Uma tarifa elevada tende a encarecer o produto brasileiro nos Estados Unidos e reduzir margem de exportadores, sobretudo em contratos de longo prazo. Dependendo da lista final, o impacto pode alcançar outros bens industriais, afetar volumes embarcados e pressionar a balança comercial.

Publicidade

O efeito para consumidores e contribuintes depende do desenho final da medida. Se a cobrança ficar concentrada em poucos produtos, o dano pode ser setorial. Se o alcance for ampliado, a disputa passa a ter peso maior sobre a política comercial brasileira e sobre empresas que dependem do mercado americano.

Próxima rodada define o tamanho da disputa

A nova reunião técnica prevista para a próxima semana deve concentrar a etapa mais concreta da negociação. É nela que os dois governos podem aproximar posições sobre produtos, percentuais, prazos de aplicação e possíveis exceções para setores considerados estratégicos.

O Brasil chega a essa fase tentando ganhar tempo e reduzir o alcance da proposta americana. Os Estados Unidos, por sua vez, mantêm a investigação comercial como base da pressão. Sem anúncio de acordo neste sábado, a consequência imediata é clara: exportadores seguem em compasso de espera, e a definição sobre a tarifa fica nas mãos da rodada técnica da próxima semana.