domingo, junho 14
Publicidade
Copa do Mundo 2026

Camisas 10 sul-americanos deixam Europa fora do mapa da Copa após 44 anos

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Brasil tem recorde histórico de 32 jogadores convocados atuando em clubes locais.
  • Neymar, do Santos, não enfrentará o Marrocos na estreia deste sábado.
  • Paraguai foi goleado por 4 a 1 pelos Estados Unidos no jogo inaugural.
  • Fenômeno reverte tendência de exportação de talentos para a Europa desde 1982.

A Copa do Mundo de 2026 expõe uma mudança rara no futebol sul-americano: pela primeira vez desde 1982, nenhum camisa 10 das seleções da Conmebol no torneio atua por clube europeu. Os donos da numeração de Brasil, Argentina, Colômbia, Equador, Paraguai e Uruguai chegam ao Mundial vinculados a equipes das Américas, em um retrato pouco comum para uma região historicamente marcada pela exportação precoce de seus talentos.

Publicidade

O recorte, feito pela plataforma 365Scores, chama atenção menos pela camisa em si e mais pelo que ela representa. Durante quatro décadas, a camisa 10 sul-americana quase sempre esteve associada a estrelas instaladas no centro financeiro do futebol, de clubes espanhóis e italianos a gigantes ingleses, franceses e alemães. Em 2026, o símbolo muda de endereço: Neymar, por exemplo, veste a 10 do Brasil e atua no Santos.

O caso brasileiro ajuda a dimensionar o movimento. A Fifa informa que clubes do Brasil têm 32 jogadores convocados para esta Copa, o maior número já registrado pelo país em uma edição do Mundial. A marca supera os 27 atletas de equipes brasileiras chamados para a Copa de 1974, quando o mercado internacional tinha peso muito menor na montagem das seleções.

Um símbolo que volta para as Américas

A última edição em que todos os camisas 10 sul-americanos jogavam fora da Europa foi a Copa de 1982, disputada na Espanha. De lá para cá, o Mundial acompanhou a consolidação do continente europeu como destino natural dos principais jogadores da América do Sul. A sequência atravessou gerações: Zico, Diego Maradona, Rivaldo, Ronaldinho, Kaká, Lionel Messi e outros craques chegaram a Copas carregando o peso esportivo e comercial de clubes europeus.

Por isso, a fotografia de 2026 tem força histórica mesmo que não prove, sozinha, uma virada definitiva no mercado. Ela combina fatores diferentes: retorno de estrelas consagradas a clubes de origem, crescimento econômico de ligas fora da Europa, valorização de campeonatos nacionais e maior capacidade de clubes sul-americanos e norte-americanos para manter ou repatriar nomes de seleção.

Publicidade

Brasil concentra o dado mais concreto

No Brasil, a tendência aparece de forma objetiva na lista de convocados. Os 32 jogadores de clubes brasileiros não indicam apenas uma base doméstica maior na seleção nacional, mas também a presença de atletas que defendem outras seleções e atuam no país. O recorde reforça o peso recente do futebol brasileiro como mercado de chegada, não apenas como vitrine de saída.

A estreia brasileira também carrega um elemento simbólico paralelo: Neymar não começa em campo contra o Marrocos neste sábado (13), e a seleção volta a abrir uma Copa sem seu camisa 10 entre os titulares pela primeira vez desde 1986, quando Zico ficou fora do jogo inicial. A ausência não muda o dado central sobre o clube do camisa 10, mas acrescenta um contraste: o número mais emblemático do futebol brasileiro está de volta ao país, embora fora da formação inicial.

Mudança estrutural ou exceção de uma Copa?

A leitura mais cautelosa é tratar 2026 como um sinal forte, não como sentença. A Europa segue concentrando receitas, competições de maior exposição global e boa parte dos elencos mais valiosos do planeta. Ainda assim, a presença simultânea dos camisas 10 sul-americanos em clubes das Américas rompe um padrão que parecia automático desde os anos 1980.

O Mundial também começa em um ambiente favorável para esse debate. A Copa de 2026 é disputada na América do Norte, com Estados Unidos, México e Canadá como sedes, e já teve no jogo de abertura uma vitória dos Estados Unidos por 4 a 1 sobre o Paraguai. Para as seleções da Conmebol, o torneio passa a testar em campo se o retorno de protagonistas ao continente representa apenas circunstância de mercado ou uma redistribuição mais duradoura de prestígio.

Publicidade

Por enquanto, o fato concreto é que a camisa mais simbólica do futebol sul-americano chega à Copa sem endereço europeu pela primeira vez em 44 anos. O próximo filtro será esportivo: o desempenho de Brasil, Argentina, Colômbia, Equador, Paraguai e Uruguai vai indicar se essa mudança de mapa também se traduz em força competitiva.