A Juntos Somos Mais, joint venture formada por Votorantim Cimentos, Gerdau e Tigre, atingiu R$ 7 bilhões em volume bruto de mercadorias transacionadas em sua operação de autosserviço em 2025. O número dá dimensão à escala alcançada pela plataforma em um mercado historicamente pulverizado, no qual lojas de material de construção negociam com múltiplos fornecedores, distribuidores e fabricantes.
O indicador é GMV, sigla usada por marketplaces para medir o valor total das mercadorias vendidas ou negociadas dentro de uma plataforma. Ele não equivale à receita líquida da companhia nem informa, sozinho, quanto a empresa reteve em comissões, serviços ou margens operacionais.
A diferença é relevante. Em negócios digitais B2B, o GMV mostra a força da rede e o volume de pedidos que passa pelo sistema, mas não substitui dados como faturamento, lucro, número de clientes ativos ou participação de mercado. No caso da Juntos Somos Mais, o valor de R$ 7 bilhões sinaliza tração comercial, embora a companhia ainda não tenha tornado públicos indicadores comparáveis de crescimento anual.
Plataforma nasce de três grandes grupos industriais
Criada em 2018, a Juntos Somos Mais começou como um programa de relacionamento voltado a lojas de material de construção. A presença de Votorantim Cimentos, Gerdau e Tigre na sociedade dá à empresa acesso a três cadeias industriais centrais para obras e reformas: cimento, aço e tubos e conexões.
Com o avanço do modelo, a operação passou a funcionar também como marketplace B2B. Na prática, a plataforma tenta organizar em ambiente digital uma parte das compras feitas por lojistas, conectando indústria, distribuidores, fornecedores e varejo especializado.
Esse desenho explica por que o número chama atenção. O setor de materiais de construção ainda depende fortemente de relações comerciais fragmentadas, negociações recorrentes por telefone, vendedores externos e pedidos feitos em canais pouco integrados. Ao concentrar catálogos, condições comerciais e pedidos, a plataforma busca reduzir atrito em uma cadeia que movimenta desde pequenas lojas de bairro até redes regionais.
WhatsApp vira porta de entrada para pedidos de lojistas
A digitalização da companhia não se limita ao autosserviço. Informações divulgadas em março indicaram que a Juntos Somos Mais movimentou R$ 250 milhões em GMV pelo WhatsApp em 12 meses, canal usado para aproximar fornecedores e compradores em uma rotina já conhecida pelos lojistas.
As duas cifras medem recortes diferentes. Os R$ 250 milhões se referem ao WhatsApp em um intervalo de 12 meses; os R$ 7 bilhões dizem respeito ao volume bruto de mercadorias no autosserviço em 2025. Juntas, elas mostram uma estratégia de ocupar mais de uma porta de entrada para compras empresariais: a plataforma digital tradicional e o aplicativo de mensagens, que já faz parte da operação diária de pequenos e médios varejistas.
Para a indústria, essa concentração de pedidos pode melhorar previsibilidade comercial e ampliar acesso a lojistas menores. Para o varejo, a promessa é simplificar compras, comparar condições e organizar o relacionamento com fornecedores em um único ambiente. O efeito para o consumidor final é indireto: aparece antes no estoque da loja, no prazo de reposição, na negociação de preços e na disponibilidade de itens para obras e reformas.
Escala ainda precisa virar resultado financeiro
O patamar de R$ 7 bilhões coloca a Juntos Somos Mais entre as iniciativas digitais mais relevantes da cadeia de materiais de construção no país. A empresa, porém, não informou quanto desse volume se converte em receita, qual foi a evolução sobre 2024 nem quantos lojistas e fornecedores estão ativos na plataforma.
Essa distinção evita uma leitura inflada do resultado. GMV alto indica circulação de mercadorias e capacidade de intermediação; receita e rentabilidade mostram a captura econômica desse movimento. O próximo teste da joint venture será demonstrar se a escala construída com lojistas e fornecedores se traduz em crescimento recorrente, margem e participação mais forte na distribuição de materiais de construção.











