quarta-feira, junho 10
MERCADO
IBOVESPA 169.813 pts▲ 0,47%DOW JONES 50.872 pts▲ 0,01%NASDAQ 25.679 pts▼ 0,12%S&P 500 7.387 pts▲ 0,04%DÓLAR R$ 5,18▼ 0,21%EURO R$ 5,99▼ 0,12%BITCOIN R$ 317.375▼ 3,49%ETHEREUM R$ 8.420▼ 3,93%SELIC 14,50%CDI 14,40%IPCA 12M 4,39%
Publicidade
Economia

Atrito Lula-Alcolumbre trava marco de minerais críticos

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Texto não tem data de votação, relator formal nem prioridades definidas no Senado.
  • Proposta cria regras para minerais críticos usados em tecnologia e transição energética.
  • Planalto esperava aprovação ainda em maio, mas a previsão não se cumpriu.
  • Rejeição de Jorge Messias ao STF agravou a relação entre Lula e Alcolumbre.
  • Não há posição oficial de Alcolumbre nem cálculo público sobre o custo do atraso.

O projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Terras-Raras entrou no Senado como uma das apostas econômicas do governo Lula, mas permanece sem avanço em meio à deterioração da relação entre o Planalto e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Publicidade

A proposta foi aprovada pela Câmara em maio e trata de insumos considerados estratégicos para a transição energética, a indústria de tecnologia, a produção de baterias e cadeias ligadas à defesa e à infraestrutura. No Senado, porém, o texto ainda não ganhou relatoria formal, calendário de votação nem indicação pública de quais pontos serão negociados.

O travamento ocorre num momento de maior tensão entre Lula e Alcolumbre, agravada pela rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. A disputa política não aparece formalmente como justificativa para a demora, mas passou a contaminar a leitura sobre pautas de interesse direto do governo no Congresso.

Publicidade

Por que o projeto virou pauta estratégica

O marco dos minerais críticos busca organizar uma política nacional para reservas e cadeias produtivas que ganharam peso na disputa global por tecnologia limpa. Terras-raras, lítio, níquel, cobalto, grafite e outros insumos são usados em turbinas eólicas, veículos elétricos, semicondutores, equipamentos militares e sistemas de armazenamento de energia.

Para o governo, a aprovação do texto ajudaria o Brasil a deixar de atuar apenas como exportador de matéria-prima e avançar na industrialização desses minerais. A ideia é criar regras, prioridades e instrumentos de coordenação para atrair investimento, estimular processamento local e dar previsibilidade a projetos de mineração associados à nova economia de baixo carbono.

Publicidade

Na Câmara, o relator Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) defendeu o projeto como instrumento de política industrial e de inserção internacional do país. A expectativa de integrantes do governo era que o Senado analisasse a proposta ainda em maio, o que não ocorreu.

Impasse expõe disputa por controle da agenda

A falta de avanço no Senado amplia a disputa por controle da pauta legislativa. Alcolumbre, como presidente da Casa, tem influência direta sobre o ritmo de tramitação, a escolha de relatorias e a inclusão de projetos na agenda de votação. Sem esses passos, o texto não entra na fase decisiva de negociação.

Publicidade

O ponto mais sensível da proposta envolve o desenho institucional da política de minerais críticos. O governo defende uma estrutura centralizada, com coordenação vinculada à Presidência da República. Setores da mineração veem risco de excesso de intervenção e cobram maior participação privada na definição das prioridades.

Também pesa o interesse regional. Alcolumbre é senador pelo Amapá, estado com relevância mineral e histórico de disputas sobre exploração, licenciamento e retorno econômico da atividade. Isso torna a pauta especialmente importante para sua base política, ainda que o presidente do Senado não tenha apresentado publicamente uma posição detalhada sobre o texto.

Publicidade

Atraso adia sinal ao setor mineral

Sem o marco, empresas e investidores continuam sem uma diretriz nacional específica para minerais críticos. O efeito imediato não é a paralisação da mineração, mas a postergação de um sinal político e regulatório sobre como o país pretende tratar cadeias consideradas estratégicas.

A indefinição também limita a capacidade do governo de apresentar o tema como ativo em negociações internacionais. A corrida por minerais usados em energia limpa virou uma prioridade para grandes economias, e países com reservas relevantes tentam transformar essa vantagem geológica em indústria, tecnologia e poder de negociação.

Publicidade

Por enquanto, o projeto depende de um ato político simples e decisivo: o Senado precisa definir a tramitação, escolher um relator e abrir a negociação sobre eventuais mudanças. Sem isso, o marco dos minerais críticos permanece fora da pauta e a agenda de industrialização defendida pelo Planalto perde tempo no Congresso.


Publicidade