Pesquisa PoderData divulgada nesta quarta-feira (3) aponta que 53% dos brasileiros apoiam a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas globais. A medida americana entra em vigor em 5 de junho, dois dias após a publicação do levantamento.
Outros 33% rejeitam o enquadramento e 14% afirmam não saber opinar. O instituto ouviu 2.500 pessoas em 166 municípios dos 27 Estados, segundo o PoderData.
O resultado expõe o descompasso entre opinião pública e a posição do governo Lula, que classificou a decisão americana como ameaça à soberania nacional. A divulgação ocorre a quatro meses das eleições presidenciais e em meio a alertas de órgãos técnicos sobre eventuais danos à cooperação policial entre Brasil e EUA.
O que disseram Washington e Brasília
A designação foi anunciada em 28 de maio pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que afirmou que o alcance das facções “estende-se por toda a nossa região e pelo nosso país”. O governo brasileiro reagiu apontando riscos à soberania e às relações institucionais bilaterais, conforme manifestação oficial registrada à época.
A discussão ganhou tração após senadores brasileiros, entre eles Flávio Bolsonaro (PL-RJ), defenderem junto à Casa Branca o enquadramento das facções. Pesquisa Quaest de novembro de 2025 já indicava 73% de apoio à proposta — número que recua para 53% no levantamento mais recente, sugerindo que o debate público sobre soberania reduziu, mas não inverteu, a maioria favorável.
PF e MP-SP veem risco a investigações
A Polícia Federal avalia internamente que a classificação pode prejudicar investigações conduzidas em conjunto com agências dos EUA. O entendimento é o de que a designação como terrorismo restringe os canais de troca de informações usados hoje em apurações sobre lavagem, tráfico internacional de drogas e contrabando de armas.
O Ministério Público de São Paulo havia feito alerta semelhante em 12 de março, no contexto da preocupação americana com o avanço do PCC no tráfico de fentanil. Para o MP-SP, o rótulo de organização terrorista altera o regime jurídico aplicável e pode esvaziar acordos de cooperação direta entre investigadores.
PCC, com base em São Paulo, e CV, originário do Rio de Janeiro, são tratados pelas autoridades brasileiras como facções criminosas com atuação nacional e ramificações no exterior — sem motivação política ou ideológica que, sob a lei brasileira, configure terrorismo.
O que entra em vigor em 5 de junho
As sanções americanas começam a valer em 5 de junho e devem atingir pessoas, empresas e redes financeiras que Washington venha a vincular ao PCC e ao CV. Os critérios operacionais e a lista de alvos, no entanto, ainda dependem de documento oficial detalhado do Departamento de Estado.
Permanecem em aberto três pontos centrais: as evidências que os EUA reuniram para justificar a designação, o alcance prático das sanções sobre cidadãos e empresas brasileiras e o impacto efetivo nos canais de cooperação entre as polícias dos dois países. O PiraNOT acompanha a publicação do ato e atualizará a apuração assim que o texto integral for divulgado.











