O primeiro-ministro da Hungria, Peter Magyar, exigiu nesta segunda-feira (1º) a renúncia do presidente Tamás Sulyok e prometeu acionar a Justiça para removê-lo do cargo. A cobrança foi feita em coletiva no Palácio Sandor, em Budapeste, sede da Presidência.
Em discurso, Magyar chamou Sulyok de “fantoche” de Viktor Orbán e atribuiu ao presidente “omissões” que não foram detalhadas. A crise expõe a disputa pelo controle institucional após a derrota do Fidesz, partido de Orbán, nas eleições legislativas de abril.
Sulyok ocupa uma Presidência majoritariamente cerimonial, mas foi eleito no início de 2024 pelo Parlamento então controlado pelo Fidesz. Até a publicação desta reportagem, não havia reação pública do presidente, do Fidesz ou de Orbán.
Tisza mira indicados do governo anterior
Orbán governou a Hungria por 16 anos com maioria do Fidesz, período em que aliados foram nomeados a cargos estratégicos do Estado. A eleição de Sulyok à Presidência ocorreu nesse contexto, ainda sob a força parlamentar do partido.
O cenário virou em abril de 2026, quando o Tisza, partido de centro-direita liderado por Magyar, derrotou o Fidesz nas legislativas. Desde então, a transição abriu disputa sobre a permanência de nomes ligados ao governo anterior em postos institucionais — a Presidência da República é a peça mais visível desse impasse.
Membro da União Europeia e da Otan, a Hungria já é monitorada por Bruxelas em razão de procedimentos abertos sobre Estado de Direito durante a gestão Orbán. A queda de um presidente em exercício teria leitura imediata no bloco.
Ação legal segue sem base pública
Magyar não especificou o instrumento jurídico que pretende usar nem o órgão a que recorrerá. Também não há prazo para apresentação formal do pedido nem indicação de quais dispositivos constitucionais embasariam a remoção de um presidente em mandato.
As acusações específicas de “omissões” atribuídas a Sulyok seguem sem descrição documentada. Sem essa peça, o que está dado até aqui é o gesto político: o premiê pediu a renúncia e sinalizou que pretende transformar a pressão em iniciativa judicial.
Os próximos passos dependem de manifestação da Presidência, da reação do Fidesz e da eventual protocolização de pedido formal. Permanecem em aberto a base legal da remoção, o detalhamento das acusações e a posição da União Europeia diante de uma crise envolvendo o chefe de Estado de um país-membro.











