A Petrobras aprovou o pagamento de R$ 9,03 bilhões em proventos a seus acionistas, ancorada no balanço do primeiro trimestre de 2026. A decisão do conselho de administração ocorre em um momento de queda de 7,2% no lucro líquido da companhia, que somou R$ 32,7 bilhões, e de pressão sobre os preços dos combustíveis devido à escalada do petróleo com a guerra no Oriente Médio.
Segundo a estatal, o valor corresponde a R$ 0,70097272 por ação ordinária e preferencial e será pago em duas parcelas. A primeira, de R$ 0,35048636 por papel, será depositada em 20 de agosto de 2026, sob a forma de Juros sobre Capital Próprio (JCP). A segunda, no mesmo valor e também como JCP, cai em 21 de setembro. Terão direito os investidores com posição acionária até 1º de junho; a partir de 2 de junho as ações passam a ser negociadas “ex-direitos”.
O montante distribuído representa 45% do fluxo de caixa livre gerado no período, percentual fixado pela política de remuneração em vigor. A regra também condiciona o pagamento ao nível de endividamento bruto dentro do limite do plano estratégico — condição atendida, conforme os números divulgados.
Investimentos recordes e alerta de analistas
A remuneração aos acionistas vem em paralelo a um plano de investimentos ambicioso. O Plano de Negócios 2026-2030, aprovado em novembro de 2025, projeta desembolsos totais de US$ 109 bilhões no período. Analistas consultados pelo Valor Investe avaliam que a combinação de aumento de investimentos, piora do endividamento e manutenção de distribuições agressivas pode gerar um “vazamento de caixa” e pressionar a alavancagem da companhia nos próximos trimestres.
Apesar do lucro bilionário, o resultado do primeiro trimestre veio abaixo do mesmo período de 2025, quando a Petrobras havia registrado R$ 35,3 bilhões. A queda reflete custos operacionais maiores e efeitos cambiais. A União, como acionista majoritária, receberá a maior fatia dos proventos, o que ajuda a engordar o caixa do Tesouro em ano de déficit fiscal.
Sombra do petróleo caro nos combustíveis
O cenário internacional adiciona pressão extra. Com o preço do barril de petróleo próximo dos US$ 90 em meio ao conflito no Oriente Médio, a defasagem entre os preços internos e externos dos combustíveis tem se ampliado. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu a necessidade de reavaliação. “A Petrobras vai precisar ir reavaliando os preços dos combustíveis”, declarou. A companhia, por sua vez, reafirmou em comunicado que mantém sua política de preços, que evita o repasse imediato da volatilidade internacional, mas não descarta ajustes pontuais.
Enquanto o mercado aguarda os próximos passos da estatal sobre os combustíveis, os acionistas começam a se preparar para o recebimento da primeira parcela em agosto. A data de corte na B3, 1º de junho, deve movimentar o mercado de ações nas próximas semanas.
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