A playlist que o Spotify sugere de manhã, a rota que o Waze calcula para evitar o trânsito e o desconto que o e-commerce oferece antes de você fechar a compra têm uma origem comum: o Big Data. A tecnologia, que analisa quantidades imensas de dados em alta velocidade, já está entranhada na rotina digital dos brasileiros — e avança na medicina com tratamentos personalizados e monitoramento por wearables.
O conceito remete aos três Vs: volume (petabytes de informação), velocidade (processamento em tempo real) e variedade (textos, imagens, localização). Para o cidadão, o resultado é uma experiência cada vez mais sob medida. Plataformas como Netflix usam o histórico de pausas e visualizações para recomendar filmes. Aplicativos de trânsito cruzam dados de milhares de motoristas para sugerir caminhos.
Esse uso intensivo de dados pessoais, porém, trouxe a privacidade para o centro do debate. Desde 2020, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece regras para coleta e tratamento de informações no Brasil, com multas que podem chegar a 2% do faturamento da empresa infratora. Conforme o Serpro, a LGPD confere ao cidadão o direito de saber quais informações são coletadas e para quais finalidades.
Avanços na medicina personalizada e dilemas éticos
Na saúde, a tecnologia começa a mudar diagnósticos. Empresas de telemedicina, como a Morsch, já utilizam big data para cruzar dados genéticos e de estilo de vida na personalização de tratamentos. Enquanto isso, wearables monitoram continuamente sinais vitais. A abordagem permite, por exemplo, ajustar medicamentos conforme variações individuais, aumentando a eficácia.
Apesar dos benefícios, há riscos. A concentração de informações pessoais pode levar a vieses algorítmicos e discriminação, alertam especialistas. A União Europeia discute a regulação da inteligência artificial, tema que ecoa no Brasil com a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial, lançada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) em 2021.
Para o dia a dia, a recomendação é que o usuário verifique as permissões de aplicativos e consulte as políticas de privacidade, já que a transparência é obrigatória pela LGPD. “O cidadão precisa se empoderar e cobrar das empresas o cumprimento da lei”, reforça o Serpro.
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