quarta-feira, junho 3
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Política

Brasil promulga acordo de facilitação do comércio do Mercosul após seis anos de espera

Decreto assinado por Alckmin moderniza aduanas, mas Argentina, Paraguai e Uruguai ainda precisam ratificar medidas

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Decreto foi assinado por Alckmin e publicado em 8 de maio de 2026.
  • Acordo prevê Guichê Único e documentação eletrônica entre os quatro países.
  • Micro e pequenas empresas terão procedimentos simplificados.
  • Brasil levou 6 anos para promulgar; sócios ainda precisam ratificar.

Após mais de seis anos de espera, o governo brasileiro promulgou o Acordo sobre Facilitação do Comércio do Mercosul, que promete reduzir a burocracia nas fronteiras do bloco. O decreto, assinado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin no exercício da Presidência, foi publicado no Diário Oficial da União em 8 de maio de 2026, sem cerimônia de divulgação.

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O texto, firmado em dezembro de 2019 em Bento Gonçalves (RS), já havia sido aprovado pelo Congresso Nacional em setembro de 2023. A demora de dois anos e oito meses entre o aval parlamentar e a promulgação acendeu um alerta entre exportadores, especialmente do interior paulista, que dependem da agilidade aduaneira para competir.

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Conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o acordo está alinhado às diretrizes da Organização Mundial do Comércio (OMC). Ele prevê a ampliação do uso de documentação eletrônica, a implementação do Guichê Único de Comércio Exterior e procedimentos simplificados para micro, pequenas e médias empresas.

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Mudanças práticas para exportadores

A principal novidade é a substituição gradual da papelada por sistemas digitais integrados entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O MDIC afirma que a centralização de trâmites em uma única plataforma — o Guichê Único — reduzirá os prazos de liberação de mercadorias e os custos operacionais.

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‘O acordo é importante para reduzir custos operacionais, reduzir prazos e aumentar a segurança jurídica’, declarou a pasta, em nota. A atenção especial às micro e pequenas empresas inclui menor exigência de garantias e procedimentos aduaneiros baseados em gestão de riscos. Isso pode beneficiar diretamente produtores do interior paulista que exportam para os vizinhos.

Além disso, o despacho mais célere de bens perecíveis e a cooperação entre autoridades de fronteira estão entre as medidas que dependem, agora, de regulamentação nacional. Sem atos internos de cada país, as novas regras não terão efeito prático.

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Atraso de seis anos expõe fragilidade do bloco

O acordo foi assinado em dezembro de 2019, mas só agora foi internalizado pelo Brasil. O decreto presidencial, publicado discretamente no Diário Oficial, contrasta com o destaque dado na mesma semana à entrada em vigor provisória do acordo Mercosul-União Europeia, que dominou a pauta econômica.

Para exportadores, o atraso de mais de seis anos entre a assinatura diplomática e a promulgação reforça a percepção de que a burocracia intrarregional segue como obstáculo à competitividade. A efetividade das novas regras dependerá da vontade política de cada sócio do bloco.

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Enquanto o Brasil promulgou o texto, Argentina, Paraguai e Uruguai ainda precisam concluir seus processos internos de ratificação e alinhar sistemas aduaneiros. A falta de um cronograma coordenado gera insegurança para empresas que planejam exportar, especialmente as de menor porte.

Vontade política dos vizinhos é decisiva

A promulgação pelo Brasil é apenas o primeiro passo. O acordo exige atos posteriores de cada país-membro para operacionalizar as medidas, conforme normas do bloco. Sem a adesão prática de Argentina, Paraguai e Uruguai, as novas regras não terão efeito nas fronteiras.

O MDIC não estabeleceu prazos concretos para a implementação coordenada. A ausência de cronograma preocupa setores que dependem da modernização aduaneira para reduzir custos e prazos de exportação.

A coincidência com a entrada em vigor provisória do acordo Mercosul-União Europeia amplia a pressão sobre a modernização regional. Para exportadores do interior paulista, a eficácia das medidas dependerá do alinhamento político nos países vizinhos — um cenário que permanece incerto.


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