sábado, 18 de julho de 2026
Publicidade
Operação militar conjunta no Mar da China Meridional envolveu 17 mil militares de sete países e elevou a tensão regional.

Japão afunda navio em exercício militar e China critica remilitarização

Operação militar conjunta no Mar da China Meridional envolveu 17 mil militares de sete países e elevou a tensão regional.

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Dois mísseis Type-88 afundaram navio filipino desativado a 400 km de Taiwan.
  • China acusou Japão de 'remilitarização acelerada' e 'afastamento do pacifismo'.
  • Exercício envolveu 17 mil militares de sete países, incluindo EUA e Austrália.
  • Primeira-ministra Takaichi eliminou restrições à venda de armas ao exterior.
  • Cerca de 50 mil pessoas protestaram em Tóquio contra o rearmamento japonês.

O Japão disparou dois mísseis terra-mar e afundou um antigo navio de guerra filipino em exercícios militares no Mar da China Meridional, a cerca de 400 quilômetros de Taiwan. A demonstração de força, assistida pelos ministros da Defesa japonês e filipino, provocou forte reação da China, que acusou Tóquio de ‘remilitarização acelerada’.

Publicidade

A operação, realizada na quarta-feira (6), integrou manobras conjuntas que reuniram 17 mil militares de sete países: Japão, Estados Unidos, Austrália, Filipinas, França, Nova Zelândia e Canadá. Dados do Ministério da Defesa japonês indicam que os mísseis Type-88 foram disparados contra um casco desativado da marinha filipina, que foi ao fundo.

O Departamento de Defesa Nacional das Filipinas descreveu o sistema de armas como ‘projetado para defender áreas costeiras e deter ameaças marítimas’. A localização do exercício, em uma província filipina próxima a Taiwan, sublinha o recado estratégico de Tóquio e seus aliados em uma das rotas marítimas mais disputadas do planeta.

Publicidade

Mísseis Type-88 e a demonstração de poder de fogo

O emprego dos mísseis terra-mar Type-88 pelas Forças de Autodefesa do Japão marcou um raro teste público de letalidade desse armamento em águas contestadas. A munição guiada atingiu o alvo flutuante enquanto autoridades militares dos dois países observavam, conforme divulgado pelo Ministério da Defesa japonês.

‘Mais um exemplo do impulso das forças de direita japonesas por uma remilitarização acelerada do Japão’, reagiu a agência estatal chinesa Xinhua, ecoando a retórica de Pequim contra o que vê como abandono do pacifismo constitucional japonês.

Publicidade

A escolha de um navio filipino desativado como alvo carrega simbolismo: Manila, que mantém disputas territoriais com a China no Mar do Sul da China, consolida-se como parceira militar de Tóquio. Os exercícios, que terminariam em 8 de maio, envolveram ainda tropas de EUA, Austrália, França, Nova Zelândia e Canadá.

Pequim denuncia ‘afastamento deliberado’ do pacifismo

A crítica chinesa não se limitou ao episódio dos mísseis. A agência Xinhua afirmou que as recentes medidas do governo japonês ‘apontam para um afastamento deliberado dos princípios pacifistas do Japão do pós-guerra e um avanço rumo à remilitarização’. A declaração foi divulgada após o exercício, mas mira a política mais ampla da primeira-ministra Sanae Takaichi.

Publicidade

No mês anterior, Takaichi promoveu a maior revisão das regras de exportação de defesa do Japão em décadas. A mudança eliminou restrições à venda de armamentos ao exterior, permitindo que o país comercialize navios de guerra e mísseis. ‘Uma mudança histórica na política de defesa’, analisou a emissora britânica BBC.

A guinada levou cerca de 50 mil pessoas às ruas de Tóquio em protesto contra o rearmamento, conforme reportagem da revista Veja. Os manifestantes exibiram faixas em defesa do Artigo 9º da Constituição japonesa, que renuncia à guerra e proíbe forças armadas ofensivas.

Publicidade

Risco de escalada e a sombra de Taiwan

A sinalização de Takaichi de que um eventual ataque chinês a Taiwan poderia desencadear resposta militar japonesa adiciona combustível à crise. A ilha, reivindicada por Pequim, fica a poucas centenas de quilômetros do local do exercício, e a presença de 17 mil soldados de sete nações na região é vista pela China como provocação direta.

Analistas apontam que a crescente assertividade militar japonesa, combinada com exercícios conjuntos cada vez mais frequentes e próximos a Taiwan, pode acelerar uma corrida armamentista na Ásia-Pacífico. A comunidade internacional observa com apreensão o aumento da frequência e do escopo dessas manobras.

O episódio também expõe a fragilidade dos canais diplomáticos na região. Enquanto Tóquio e Washington reforçam laços militares com Manila, Pequim intensifica sua retórica contra o que classifica como ‘cercamento’ por potências estrangeiras. O Mar da China Meridional, por onde passa um terço do comércio marítimo global, segue como palco de tensões crescentes.


Publicidade
Publicidade