
Ontem (22) à noite cerca de 850 alunos, professores e convidados se reuniram no Teatro Unimep, zona leste de Piracicaba, para defender a democracia e o resultado das urnas de 2014. Pouco antes, uma carta assinada por professores foi emitida.
De acordo com o documento, “frente ao grave cenário político instalado hoje no país, docentes da Universidade Metodista de Piracicaba, na perspectiva de manter coerência com os princípios definidos coletivamente no Projeto Político pedagógico da Instituição, decidiram se posicionar em defesa de uma sociedade humana, pautada por valores éticos que preservam a justiça, a Democracia e o direito à vida digna para todos.”

A carta faz seis considerações. A primeira é uma reivindicação para que o “combate à corrupção seja processado de forma exemplar. Que ocorra com processo judicial ético e transparente, respeitando todas as instituições democráticas. É imperativo punir todos aqueles que incorreram em ilegalidade, mas também é inadmissível a seletividade com que o processo vem ocorrendo, evidentemente movido por interesses políticos.”, diz.
Os professores repudiam no documento “ruptura com o Estado Democrático de Direito, com ameaças e violações à democracia, invasão de privacidade e flagrante desrespeito a direitos inalienáveis do cidadão” e diz que respeitam “o princípio básico da representatividade democrática, no qual o resultado das eleições, livres e diretas, deve prevalecer, exceto quando se comprovem ilegalidades, sempre observando o respeito à Constituição Brasileira.”
Ainda de acordo com a carta, os professores dizem defender “o direito a que todos os cidadãos possam exercer sua defesa nos parâmetros legais e de Justiça estabelecidos. A polícia e o Poder Judiciário não podem, em hipótese alguma, agir ao arrepio da Lei” e que repudiam também “as atitudes de linchamento público que vem sendo promovidas pela mídia, que assume em muitas situações o papel de julgamento que não lhe compete, assim como a cobertura tendenciosa dos acontecimentos, promovendo deformação na opinião pública brasileira.”
Por último, o documento alerta “para o comportamento de intolerância que se instala no país, com riscos de escalada de violência e desrespeito aos direitos humanos” e enfatiza que estão dispostos a lutar pela defesa da Democracia Brasileira, conquistada a duras penas.
Durante o ato no teatro, alunos e professores discursaram. Houve coros contra a cobertura dos grandes veículos de comunicação, principalmente a feita pela TV Globo. Frases como “Não vai ter golpe” foram ditas inúmeras vezes.
Nós procuramos a assessoria de imprensa da universidade para comentar o ato e saber sua posição política, porém não obtivemos retorno até a publicação.
Desde que se iniciaram protestos contra o Governo Federal, este foi o maior ato registrado em Piracicaba quase que a favor dele. Embora não citar claramente Dilma Rousseff e nem o ex-presidente Lula, a carta toca em pontos importantes que falam sobre o andamento do processo de impedimento do mandato da presidenta que ocorre hoje na Câmara dos Deputados e também da atuação do juiz Sérgio Moro que comanda a operação Lava-Jato.














