A Ambev divulga nesta terça-feira (5) o balanço do primeiro trimestre de 2026 sob a sombra de uma queda projetada de 11% no lucro líquido, para R$ 3,3 bilhões, conforme estimativas do Bradesco BBI. O resultado, pressionado por consumo enfraquecido e maiores despesas financeiras, expõe a fragilidade da demanda no Brasil e testa a confiança de investidores que negociam a ação com prêmio de 20% sobre pares globais.
O cenário para a companhia é desafiador. A receita líquida deve recuar 3% na comparação anual, para R$ 21,8 bilhões, ainda segundo projeções do Bradesco BBI. O EBITDA, métrica de geração de caixa operacional, deve cair 6%, para R$ 7,0 bilhões, com margem de 32%.
O Itaú BBA trabalha com estimativas um pouco mais otimistas: lucro líquido ajustado de R$ 3,541 bilhões e receita de R$ 22,136 bilhões. No entanto, o banco reconhece que o clima adverso e a base de comparação exigente devem resultar em volumes fracos de venda.
Projeções de lucro em queda: o que esperar do 1T26
As projeções do Bradesco BBI indicam lucro líquido de R$ 3,3 bilhões para a Ambev no primeiro trimestre de 2026, recuo de 11% em relação ao mesmo período de 2025. A retração é atribuída a maiores despesas financeiras e à pressão cambial, com a valorização do real impactando a conversão de resultados do exterior.
A receita líquida deve cair 3%, para R$ 21,8 bilhões, enquanto o EBITDA fica em R$ 7,0 bilhões, com margem de 32%, conforme a instituição. O Itaú BBA projeta lucro líquido ajustado de R$ 3,541 bilhões, mas aponta clima adverso e base de comparação exigente para volumes fracos.
A XP Investimentos sinaliza que o sell-in foi sólido nos dois primeiros meses, porém a menor rotação do sell-out indica acúmulo de estoques e incertezas. O balanço é decisivo para o mercado, já que a ação negocia com prêmio de 20% frente a pares globais e a tese de investimento depende da entrega de crescimento.
Consumo fraco e acúmulo de estoques pressionam resultado
A Ambev enfrenta um cenário de demanda incerta no Brasil, com o consumo final de bebidas mais fraco do que o ritmo de vendas para distribuidores. A XP Investimentos sinaliza que o sell-in — vendas da companhia para os distribuidores — foi sólido nos dois primeiros meses do primeiro trimestre de 2026.
No entanto, a menor rotação do sell-out — o consumo efetivo pelo cliente final — indica acúmulo de estoques na cadeia. Esse descompasso, segundo a XP, deve resultar em um mês de março mais fraco, elevando as incertezas sobre a real força da demanda.
As projeções do Bradesco BBI reforçam o tom cauteloso: o banco estima queda de 2,5% nos volumes de cerveja no Brasil e de 3% em bebidas não alcoólicas no período. O balanço do 1T26 testa a confiança de investidores que negociam o papel com prêmio de 20% frente a pares globais, conforme dados de mercado.
Ações com prêmio elevado: balanço é teste para tese de investimento
As ações da Ambev negociam a 16,7 vezes o lucro projetado para 2026, um prêmio de cerca de 20% sobre pares globais do setor de bebidas. Esse patamar exige entrega consistente de crescimento, e o balanço do primeiro trimestre se torna um teste crucial para a tese de investimento.
O Bradesco BBI mantém recomendação neutra para o papel, com preço-alvo de R$ 14, indicando cautela diante das incertezas. Um resultado abaixo das projeções pode intensificar a pressão sobre as ações e desencadear revisões de estimativas por analistas.
Segundo o Bradesco BBI, o consumo enfraquecido no Brasil e a valorização do real sobre a conversão cambial pesam sobre o desempenho da companhia. A XP Investimentos aponta que, apesar do sell-in sólido nos dois primeiros meses do trimestre, a menor rotação do sell-out sugere acúmulo de estoques e fragilidade na demanda final.
O mercado aguarda os números oficiais para avaliar se a Ambev consegue sustentar o valuation elevado em um ambiente de desaceleração do consumo. A divulgação está prevista para antes da abertura do pregão desta terça-feira.











