A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, informou que acionou o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal contra um vídeo gerado por inteligência artificial de Jair Bolsonaro exibido na convenção nacional do PL, em São Paulo, no sábado (25).
Na gravação, o avatar digital de Bolsonaro afirma estar “preso e calado por uma decisão arbitrária” e pede apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
O ponto central é se a imagem digital funcionou como manifestação político-eleitoral de Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses em prisão domiciliar e está proibido de divulgar esse tipo de conteúdo por qualquer meio, após determinação do ministro Alexandre de Moraes.
Regra de 2024 volta ao centro da disputa eleitoral
Em 2024, o Tribunal Superior Eleitoral aprovou regras mais rígidas para restringir deepfakes e inteligência artificial não rotulada em campanhas eleitorais. O vídeo exibido pelo PL no sábado (25) é tratado como o primeiro teste prático de maior alcance dessas normas na disputa presidencial de 2026.
A controvérsia jurídica tem duas frentes: a discussão sobre eventual tentativa de contornar restrições impostas a Bolsonaro e a análise das regras eleitorais para uso de inteligência artificial em campanha. Até a decisão do TSE, não há punição definida.
O episódio também se conecta à estratégia digital do campo bolsonarista. Em junho de 2026, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo com IA que “resgatava” Neymar, outro exemplo do uso de imagem sintética na disputa política.
Defesa de Bolsonaro e PL não se manifestam sobre autoria
Jair Bolsonaro é o principal envolvido porque sua imagem e sua voz digitais foram usadas na peça exibida pelo PL. A defesa do ex-presidente e o partido não se manifestaram sobre a autoria do vídeo de IA.
Após a repercussão do vídeo, o entorno de Flávio Bolsonaro passou a recomendar cautela sobre novas aparições virtuais do ex-presidente e cogita recorrer a um boneco de papelão.
TSE ainda analisa representação contra o vídeo
A representação foi protocolada no Tribunal Superior Eleitoral depois da convenção do PL de sábado (25). Ainda não há decisão sobre eventual punição ao partido ou ao ex-presidente.
O desfecho depende da avaliação sobre dois pontos: se o vídeo tentou contornar a restrição imposta a Bolsonaro e se a peça violou as regras eleitorais sobre inteligência artificial. A aplicação de multa ou de outra sanção ao PL depende de manifestação do TSE.












