O investimento direto no Brasil somou US$ 9,07 bilhões em junho de 2026, informou o Banco Central nesta terça-feira (28), acima de maio e de junho de 2025.
O dado ajuda a medir se o país atrai capital de longo prazo em volume suficiente para financiar seu déficit externo. Em junho, o déficit em transações correntes ficou em US$ 2,3 bilhões.
Na definição do Banco Central, o Investimento Direto no País registra fluxos financeiros de passivos emitidos por residentes brasileiros para credores não residentes, quando há relação de controle ou forte influência entre os agentes.
Entrada sobe de US$ 7,97 bilhões para US$ 9,07 bilhões
O IDP de junho avançou sobre os US$ 7,97 bilhões de maio de 2026. A comparação anual mostra diferença maior: em junho de 2025, o ingresso havia sido de US$ 3,10 bilhões.
A linha do tempo do setor externo mostra três referências. Em 30 de junho de 2025, o IDP foi de US$ 3,10 bilhões e o déficit em transações correntes somou US$ 5,20 bilhões. Em 31 de maio de 2026, o IDP ficou em US$ 7,97 bilhões. Em 30 de junho de 2026, subiu a US$ 9,07 bilhões, com déficit corrente de US$ 2,30 bilhões.
A sequência indica que o fluxo de junho financiou com folga o déficit externo mensal. O dado, isoladamente, não permite concluir uma tendência permanente de atração de capital produtivo.
Contas externas recebem entrada maior que o déficit mensal
O efeito prático está nas contas externas. O país registrou US$ 9,07 bilhões em investimento direto no mês, enquanto as transações correntes tiveram déficit de US$ 2,30 bilhões.
A balança comercial registrou superávit de US$ 8,8 bilhões em junho de 2026, com exportações de US$ 36,4 bilhões e importações de US$ 27,6 bilhões. Na comparação com junho de 2025, as altas foram de 24,8% e 15,3%, respectivamente.
A conta de serviços teve déficit de US$ 5,1 bilhões em junho de 2026, enquanto o déficit da renda primária permaneceu estável em US$ 6,5 bilhões.
As reservas internacionais ficaram em US$ 367,60 bilhões em junho de 2026, após queda mensal de US$ 3,60 bilhões. A redução foi influenciada por variação cambial e vendas de dólares pelo Banco Central.
Déficit em 12 meses fica em US$ 61,4 bilhões
Embora a entrada de investimento direto tenha superado o déficit corrente de junho, o resultado acumulado em 12 meses até junho de 2026 ficou negativo em US$ 61,4 bilhões, equivalente a 2,46% do PIB.












