A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) afirmou nesta segunda-feira (20) que espera certificar em breve os modelos Boeing 737 MAX 7 e MAX 10, após anos de atrasos regulatórios decorrentes da crise de segurança da família de aeronaves.
A declaração, feita pelo vice-administrador da FAA, Chris Rocheleau, durante o Farnborough Air Show, sinaliza o fim de um longo período de incertezas que travou entregas bilionárias e afetou o planejamento de frotas de companhias aéreas em todo o mundo, inclusive no Brasil.
Rocheleau afirmou que a certificação do MAX 7 está ‘literalmente virando a esquina’, seguida de perto pelo MAX 10, e que o modelo de longa distância 777X deve ser aprovado ainda neste ano ou no início de 2027. As declarações foram dadas em entrevista à Reuters e repercutidas pela imprensa internacional.
Revisão após tragédias
Os modelos 737 MAX ficaram sob escrutínio rigoroso depois que dois acidentes fatais — o voo Lion Air 610, em outubro de 2018, e o voo Ethiopian Airlines 302, em março de 2019 — levaram à suspensão mundial da frota entre março de 2019 e novembro de 2020. Desde então, a FAA impôs um processo de certificação mais detalhado, com exigências adicionais de segurança e documentação técnica, o que atrasou a liberação das variantes MAX 7 e MAX 10.
A agência reguladora negou que estivesse impedindo a certificação. Em janeiro, o administrador da FAA, Bryan Bedford, afirmou que a entidade não estava bloqueando os esforços da Boeing, mas sim conduzindo uma revisão minuciosa. Agora, Rocheleau diz que o processo está ‘mais perto do que nunca’.
Impacto bilionário e reflexos no Brasil
A certificação é crucial para a Boeing, que tem centenas de pedidos pendentes para os dois modelos. Embora a fabricante não divulgue valores exatos, cada unidade do 737 MAX 10 é negociada por cerca de US$ 130 milhões, segundo dados de mercado. A liberação destrava um fluxo de caixa estimado em dezenas de bilhões de dólares.
No Brasil, companhias aéreas que operam a família 737 MAX também aguardam a homologação para definir planos de renovação de frota. A Gol, por exemplo, já utiliza o MAX 8 e tem encomendas para versões maiores, mas a empresa não detalhou quantos pedidos estão atrelados ao MAX 10. A Azul e a Latam também possuem acordos com a Boeing, mas não se manifestaram sobre o cronograma.
A notícia chega em um momento de atenção do mercado financeiro. Nesta segunda, o Banco Central realizou um leilão de US$ 1 bilhão no mercado de câmbio, conforme reportou o PIRANOT, evidenciando a volatilidade que afeta também setores como o de aviação.
Próximos passos e cautela
Apesar do tom otimista, a FAA não divulgou uma data exata para a emissão dos certificados. A certificação simultânea com a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) está em fase final, mas ainda depende da conclusão de testes e da entrega de documentação pela Boeing. A fabricante não se pronunciou oficialmente sobre a declaração de Rocheleau até a publicação desta reportagem.
A expectativa é que, uma vez certificados, os primeiros MAX 7 e MAX 10 comecem a ser entregues ainda em 2026, mas atrasos de última hora não estão descartados, como mostrou o histórico recente do programa.









