O Fundo Monetário Internacional (FMI) liberou neste sábado (18) US$ 346 milhões (cerca de R$ 1,77 bilhão) para a Venezuela financiar a reconstrução das áreas devastadas pelos terremotos de 24 de junho.
Os recursos, provenientes da parcela de reservas do país em Direitos Especiais de Saque (DES), foram anunciados pela diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, após conversa com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. O valor será destinado a necessidades humanitárias urgentes, informou a porta-voz do Fundo, Julie Kozack.
A liberação ocorre em meio a questionamentos sobre a governança do fundo de reconstrução venezuelano. O FMI não detalhou os mecanismos de auditoria que serão aplicados para assegurar que o dinheiro chegue às vítimas. A falta de clareza preocupa observadores, uma vez que o país enfrenta uma crise institucional e econômica profunda.
Relação retomada e cenário econômico
As relações formais entre a Venezuela e o FMI estavam suspensas desde 2019 e só foram retomadas em abril de 2026, abrindo caminho para as negociações emergenciais após os desastres naturais. A reaproximação permitiu que o país acessasse sua cota de reservas no Fundo, estimada em US$ 4,5 bilhões em DES.
Os terremotos de junho deixaram 5.069 mortos e 16.740 feridos, segundo os números oficiais compilados pelo governo interino. Nas primeiras semanas, porém, diferentes agências reportaram divergências nos totais de vítimas, o que adiciona incerteza à dimensão exata da tragédia.
A economia venezuelana, combalida por anos de crise, enfrenta uma dívida que pode chegar a US$ 240 bilhões, como revelou o PIRANOT em junho. A inflação anual dobrou no mês passado e atingiu 544%, de acordo com o Observatório Venezuelano de Finanças.
Próximos passos e condicionantes
O governo interino de Delcy Rodríguez terá de demonstrar que os US$ 346 milhões serão aplicados exclusivamente em ações humanitárias. O FMI informou que as discussões técnicas continuarão, mas não estabeleceu um prazo para a publicação das regras de prestação de contas.
Outro ponto sensível é a representação jurídica da Venezuela perante o Fundo. A legitimidade do governo interino para negociar em nome do país ainda é objeto de disputas legais, o que pode travar novos desembolsos. Por ora, a liberação emergencial foi viabilizada pelo caráter humanitário da operação.
A comunidade internacional acompanha o caso. A expectativa é que o FMI exija auditorias independentes como condição para liberar parcelas adicionais dos US$ 4,5 bilhões em reservas que o país mantém na instituição.











