A Oncoclínicas confirmou nesta quarta-feira (15) ter recebido uma oferta não vinculante da gestora IG4 para subscrever R$ 500 milhões em debêntures conversíveis em ações, enquanto o colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deu sinal verde para a aquisição da Brava Energia pela colombiana Ecopetrol.
Em comunicado ao mercado, a companhia afirmou que a proposta da IG4 ainda não representa uma transação definida e que seu avanço depende de acordo com a base acionária e outras condições precedentes. A oferta surge dias após a Oncoclínicas protocolar, na segunda-feira (13), pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar dívidas que somam R$ 5,1 bilhões.
O plano de recuperação, divulgado na terça-feira (14), obteve adesão inicial de 37% dos credores. A injeção de capital da IG4, se concretizada, diluiria a participação dos atuais acionistas, mas poderia aliviar a pressão de liquidez da empresa, que enfrenta endividamento elevado no setor de saúde suplementar.
Na mesma sessão, a CVM tornou sem efeito a suspensão que impedia a oferta pública de aquisição das ações da Brava Energia pela Ecopetrol, destravando a operação. A decisão do colegiado encerra um impasse regulatório e permite que a petroleira colombiana avance na compra da empresa brasileira.
Reestruturação financeira e endividamento
A Oncoclínicas vinha enfrentando pressão de liquidez devido ao endividamento elevado, que atingiu R$ 5,1 bilhões. O pedido de recuperação extrajudicial, protocolado em 13 de julho, busca renegociar os débitos com credores e evitar uma recuperação judicial. O plano apresentado prevê alongamento de prazos e descontos, mas a adesão inicial de 37% indica que a negociação ainda está em estágio inicial.
A oferta da IG4, gestora especializada em ativos estressados, é um sinal de que investidores enxergam valor na operação da Oncoclínicas, que possui uma rede de clínicas oncológicas em todo o país. A proposta de debêntures conversíveis permitiria à IG4 converter o crédito em ações, potencialmente assumindo participação relevante na companhia.
Impacto no mercado e nos acionistas
Para os atuais acionistas, a entrada da IG4 pode significar diluição significativa, dependendo do preço de conversão das debêntures. A empresa não detalhou as condições da oferta, mas o valor de R$ 500 milhões representa cerca de 10% do endividamento total. Se a transação avançar, a Oncoclínicas poderá reduzir sua alavancagem e retomar investimentos, mas os credores que não aderiram à recuperação extrajudicial podem contestar a prioridade da nova injeção de recursos.
No caso da Brava, a aprovação da CVM destrava uma operação que vinha sendo acompanhada pelo mercado de óleo e gás. A Ecopetrol, que já havia anunciado interesse, agora pode formalizar a oferta pública de aquisição, o que deve movimentar as ações da Brava na B3. A decisão também sinaliza que a CVM está disposta a acelerar análises de fusões e aquisições, em um momento de intensa atividade de M&A no Brasil, como ilustra a recente compra da Arbex pela Suzano por R$ 6,7 bilhões, conforme noticiou o PIRANOT.
Próximos passos e incertezas
A Oncoclínicas informou que ainda não há definição sobre a transação com a IG4 e que as negociações dependem de um acordo com a base acionária. A empresa também precisa ampliar a adesão ao plano de recuperação extrajudicial, que atualmente conta com 37% dos credores. Sem um percentual maior, o plano pode enfrentar resistência judicial.
Já a Brava Energia aguarda a formalização da oferta pela Ecopetrol, que agora pode seguir com a OPA sem o entrave regulatório. A CVM, por sua vez, ainda analisa recurso de investidores minoritários da Oncoclínicas sobre a demora na análise de uma OPA anterior, o que pode trazer novos desdobramentos para a companhia.











