quinta-feira, 16 de julho de 2026
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Agronegócio

Pecuária de corte atinge R$ 1,15 tri e bate recorde de produção em 2025

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Produção recorde de 12,35 milhões de toneladas veio com 18% menos pasto que em 1990 e ganho de produtividade de 183%.
  • As exportações somaram US$ 18 bi, mas o esgotamento da cota chinesa em julho forçou frigoríficos a reduzir abates e dar férias coletivas.
  • O Brasil negocia com Uruguai troca de cotas para exportar mais 100 mil t à China a partir de 2027, enquanto EUA pressionam por tarifas.
  • Apesar do recorde de oferta, analistas preveem preços sustentados em 2026, com consumo de 37,04 kg per capita e exportações firmes.

A pecuária de corte brasileira chegou a R$ 1,159 trilhão em 2025 e bateu recorde de produção, com 12,35 milhões de toneladas de carne bovina, de acordo com o Beef Report 2026, divulgado pela ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) e pela consultoria Athenagro.

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O resultado consolida o Brasil como maior produtor mundial de carne bovina e dá dimensão ao peso econômico da atividade dentro do agronegócio. No ano, o país abateu 47,79 milhões de cabeças, exportou 3,5 milhões de toneladas e obteve US$ 18 bilhões em receita externa com a proteína.

Apesar da força das vendas ao exterior, o mercado doméstico segue como peça central da cadeia. O consumo interno per capita ficou em 37,04 quilos por habitante, enquanto a área de pastagens somou 160 milhões de hectares. A combinação mostra um setor que ampliou escala sem depender apenas da abertura de novas áreas.

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Produtividade explica salto da produção

O principal motor do recorde foi o ganho de eficiência no campo. Entre 1990 e 2025, a produção por hectare avançou 183%, enquanto a área total de pastagens recuou 18%, segundo a série histórica do Beef Report. Na prática, a pecuária passou a produzir mais carne em uma base territorial menor.

Esse movimento reflete a adoção de sistemas mais intensivos, como confinamento, suplementação e terminação intensiva a pasto. A mudança reduz a dependência da expansão horizontal e ajuda a explicar por que a produção cresceu mesmo em um ambiente de maior pressão ambiental e comercial sobre a origem da carne.

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Recorde convive com aperto no curto prazo

O retrato estrutural positivo não elimina tensões recentes na indústria. Em julho, frigoríficos reduziram abates, e a arroba do boi gordo ficou travada entre R$ 315 e R$ 320. O movimento mostra que a cadeia pode bater recordes anuais e, ao mesmo tempo, enfrentar ajustes pontuais de oferta, margem e ritmo de compra.

Para o consumidor, o dado central é que produção recorde não se traduz automaticamente em carne mais barata no varejo. A formação de preços depende da disputa entre demanda interna, exportações, custo do boi, câmbio e capacidade dos frigoríficos de manter o ritmo de abate.

O Beef Report 2026 reforça, portanto, duas mensagens simultâneas: a pecuária brasileira ganhou produtividade suficiente para sustentar novo patamar de produção e receita, mas o efeito desse avanço no preço final da carne dependerá do equilíbrio entre mercado interno e exportações ao longo do ano.


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