A nova tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros encontra o setor exportador em posição menos vulnerável do que no primeiro choque comercial de 2025, avalia Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior.
A sobretaxa entra em vigor em 22 de julho e atinge principalmente bens industriais, como máquinas, equipamentos e aço. O ponto de tensão está no tamanho do estrago: a Confederação Nacional da Indústria calcula que 54,1% das exportações brasileiras para os EUA podem ser afetadas, enquanto o governo brasileiro trabalha com uma estimativa de 21% dos embarques.
A distância entre os dois números decorre de critérios diferentes. A leitura da CNI considera um universo mais amplo de produtos sujeitos ao risco tarifário. A conta do governo se concentra nos itens com maior probabilidade de sofrer a cobrança na prática. Em qualquer cenário, a medida pesa sobre uma relação comercial estratégica para a indústria brasileira.
Empresas reduzem dependência dos EUA
Para Barral, a diferença em relação a 2025 está na reação das empresas. Depois da primeira rodada de tarifas, exportadores passaram a buscar clientes em outros mercados e chegaram à nova fase com carteiras mais diversificadas. Essa mudança não elimina perdas, mas reduz a dependência de um único destino e dá mais margem de manobra ao setor privado.
O efeito é especialmente relevante para a indústria de transformação, mais exposta ao mercado americano do que setores ligados a commodities. Máquinas, equipamentos e produtos siderúrgicos tendem a sentir a tarifa de forma mais direta porque competem em contratos de maior valor agregado e com cadeias de fornecimento mais rígidas.
Divergência muda o tamanho da pressão
Se prevalecer a projeção de 54,1% da CNI, mais da metade das vendas brasileiras aos Estados Unidos ficará sob risco de encarecimento. Pela estimativa de 21% do governo, o impacto seria menor, mas ainda concentrado em segmentos industriais sensíveis, com potencial para afetar margens, contratos e decisões de produção.
A tarifa também cria pressão política dos dois lados. No Brasil, empresas cobram uma resposta que preserve competitividade e evite perda de mercado. Nos Estados Unidos, importadores dependentes de insumos brasileiros tentam conter o aumento de custos e mantêm questionamentos contra a medida.
O próximo marco é 22 de julho, quando a cobrança passa a valer. Até lá, exportadores tentam renegociar contratos, redirecionar embarques e medir quanto da tarifa poderá ser absorvido sem romper vendas ao mercado americano.











