O consultor Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócio, afirmou nesta quarta-feira (15) que a safra brasileira de soja 2026/27 tem perspectiva positiva de produção, mas exigirá atenção redobrada dos produtores diante de riscos climáticos e custos elevados.
A projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgada na última sexta-feira (10), aponta que o mundo deve produzir 441,70 milhões de toneladas de soja no ciclo 2026/27, com aumento na demanda global. O consumo interno mundial foi ajustado para 441,72 milhões de toneladas, e as exportações, para 190,41 milhões de toneladas, segundo o relatório do USDA.
Apesar do cenário global favorável, Cogo informa que os produtores brasileiros ainda não contam com dados consolidados de custos de produção por região nem com detalhamento sobre o impacto das taxas de juros no financiamento da safra. “O planejamento financeiro será decisivo, especialmente após duas safras consecutivas com margens de lucro apertadas”, afirmou o consultor, em análise divulgada pelo Canal Rural.
Histórico de margens apertadas e preparação para o plantio
O setor de soja no Brasil vem de dois ciclos consecutivos com rentabilidade reduzida, o que eleva a necessidade de um planejamento financeiro rigoroso para a temporada 2026/27. O país é o maior produtor e exportador global da oleaginosa, e qualquer oscilação em sua safra influencia diretamente as cotações na Bolsa de Chicago.
O vazio sanitário da soja, período em que o cultivo é proibido para controle da ferrugem asiática, termina em 6 de setembro em Mato Grosso, principal estado produtor. Em São Paulo, o intervalo também se encerra ao longo de setembro, mobilizando os produtores do interior paulista para o início do plantio. O PIRANOT tem acompanhado as revisões de safra de outras culturas, como a cana-de-açúcar, cuja produção recuou 2% na projeção da Conab divulgada em julho.
Monitoramento climático e definição de estratégias
Com a proximidade do plantio, a atenção se volta para as condições climáticas, especialmente o risco de seca na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Ainda não há definição sobre as medidas de mitigação que os produtores adotarão caso o fenômeno El Niño se confirme com intensidade. A Cogo Inteligência recomenda que os agricultores monitorem de perto as previsões meteorológicas e ajustem o manejo conforme a evolução do clima.
A ausência de dados regionais de custo e de clareza sobre o impacto dos juros no crédito rural mantém o setor em compasso de espera. O sucesso da safra 2026/27 dependerá da capacidade de os produtores combinarem planejamento financeiro antecipado com respostas rápidas às variações do clima.











