segunda-feira, julho 6
MERCADO
IBOVESPA 172.051 pts▼ 0,43%DOW JONES 52.901 pts▲ 1,14%NASDAQ 26.151 pts▲ 0,43%S&P 500 7.534 pts▲ 0,67%DÓLAR R$ 5,17▼ 0,39%EURO R$ 5,91▼ 0,47%BITCOIN R$ 328.845▲ 1,33%ETHEREUM R$ 9.249▲ 0,70%SELIC 14,25%CDI 14,15%IPCA 12M 4,72%
Publicidade
Economia

Impasse entre EUA e Irã pesa nas bolsas europeias; Frankfurt resiste

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • EUA e Irã se reuniram em Doha para discutir o tráfego no Estreito de Ormuz, mas encerraram a rodada sem nenhum avanço anunciado.
  • O DAX de Frankfurt subiu entre 0,18% e 0,29%, com divergência entre plataformas de dados que não foi explicada oficialmente.
  • A inflação da zona do euro desacelerou para 2,8% em junho e declarações de Christine Lagarde também dividiram as atenções dos mercados.
  • O recuo contrasta com a sessão anterior, quando o Stoxx 600 atingiu recorde histórico e encerrou o melhor trimestre desde 2020.
  • No Brasil, o relatório Focus registrou o primeiro alívio nas expectativas de inflação desde o início do conflito entre EUA e Irã.

As bolsas europeias fecharam em queda nesta quarta-feira (1º), em uma sessão marcada pela frustração com a nova rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã. O Stoxx 600, principal índice pan-europeu, recuou 0,31%, aos 639,75 pontos, um dia depois de renovar recorde de fechamento.

Publicidade

O movimento mostrou que o mercado ainda opera no compasso da crise geopolítica. Sem um avanço concreto nas conversas, investidores reduziram risco em parte das praças europeias, apesar de sinais mais benignos na inflação da zona do euro. O índice de preços ao consumidor do bloco desacelerou para 2,8% em junho, mas continuou acima da meta de 2% perseguida pelo Banco Central Europeu.

Paris concentrou a maior perda entre os principais mercados: o CAC 40 caiu 0,79%, para 8.337,29 pontos. O PSI 20, de Lisboa, cedeu 0,46%, aos 9.090,47 pontos. Em Madri, o Ibex 35 recuou 0,30%, para 19.413,20 pontos. Londres também fechou no vermelho, com baixa de 0,18% do FTSE 100, aos 10.478,34 pontos, enquanto o FTSE MIB, de Milão, perdeu 0,15%, aos 51.604,56 pontos.

Publicidade

Frankfurt destoou do restante da região. O DAX encerrou em alta, com plataformas de mercado registrando avanço entre 0,18%, aos 25.040,28 pontos, e 0,29%, aos 25.069,11 pontos. A resistência alemã impediu uma leitura uniforme de aversão a risco, mas não mudou o sinal predominante do dia: a Europa devolveu parte do ganho acumulado na véspera.

Recorde recente deixa mercado mais sensível ao noticiário

A queda veio logo após um fechamento histórico do Stoxx 600. Em junho, o índice já havia alcançado 640,18 pontos, impulsionado por ações de tecnologia e por uma leitura de que o conflito no Oriente Médio poderia produzir menos impacto sobre energia, comércio e inflação do que se temia no início da crise.

Publicidade

Esse pano de fundo ajuda a explicar a reação desta quarta. Com os preços das ações em patamar elevado, qualquer sinal de travamento diplomático reduz o espaço para novas altas. A rodada de conversas no Catar discutiu temas ligados à segurança regional e ao tráfego marítimo, mas terminou sem anúncio capaz de consolidar uma trégua ou retirar prêmio de risco dos mercados.

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, também ficou no centro das atenções. A inflação menor abre margem para debate sobre juros, mas o nível de 2,8% ainda limita uma sinalização mais agressiva de cortes. Para as bolsas, a combinação é desconfortável: atividade e juros seguem no radar, enquanto petróleo, câmbio e rotas comerciais continuam sujeitos ao noticiário geopolítico.

Focus registra alívio na inflação brasileira

No Brasil, o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central trouxe um sinal na direção oposta: a projeção do mercado para a inflação de 2026 caiu pela primeira vez desde o início da guerra no Irã. A mudança interrompeu uma sequência de revisões para cima alimentada pelo risco de alta do petróleo, de pressão cambial e de encarecimento de insumos importados.

A leitura não altera sozinha o cenário da política monetária, mas reduz a força de um dos fatores que vinha dificultando o debate sobre a Selic. Se o alívio se repetir nas próximas divulgações, o mercado terá mais munição para recalibrar apostas sobre o ritmo de queda dos juros no Brasil. Caso a tensão volte a contaminar petróleo e dólar, o espaço para otimismo diminui rapidamente.

Nos Estados Unidos, o avanço de uma medida no Senado para limitar poderes de guerra do governo federal também entrou no cálculo dos investidores nas últimas semanas. A iniciativa reforçou a percepção de que parte do risco político pode ser contida pelo Congresso, embora a trajetória dos ativos ainda dependa do desfecho das negociações com Teerã.

Julho começa com juros, petróleo e diplomacia no mesmo tabuleiro

O início de julho deixa os mercados presos a três variáveis. Na Europa, o BCE precisa decidir se a desaceleração da inflação é suficiente para sustentar novos cortes de juros sem reacender pressões de preços. No Oriente Médio, a ausência de avanço entre EUA e Irã mantém prêmio de risco sobre energia e comércio marítimo. No Brasil, o Focus passa a medir se a melhora das expectativas é pontual ou o começo de uma tendência.

O próximo teste será a capacidade de os índices europeus preservarem os ganhos recentes sem uma melhora diplomática clara. Para o investidor brasileiro, a consequência prática está no cruzamento entre petróleo, dólar e expectativas de inflação: é esse trio que deve definir se o alívio registrado pelo Focus ganha força ou volta a ser engolido pela tensão externa.


Publicidade
Publicidade