quarta-feira, julho 1
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Economia

Ouro perde 25% desde fevereiro com Fed cauteloso e impasse entre EUA e Irã

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Desde o fim de fevereiro, quando as tensões no Oriente Médio se intensificaram, o ouro acumula perda de cerca de 25%, saindo de patamares superiores a US$ 5.300 para o nível atual.
  • Uma possível rodada em Doha, no Catar, chegou a ser ventilada por fontes diplomáticas, mas o governo iraniano não confirmou oficialmente a data nem os termos do encontro.
  • A pressão do Federal Reserve sobre o ouro Além do fator geopolítico, a política monetária americana segue como vetor relevante.
  • A estabilidade ocorre enquanto o mercado aguarda definições sobre a retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã.
  • Em 27 de maio, o papel para agosto era cotado a US$ 4.481,50 — o que significa um tombo adicional de quase US$ 450 em pouco mais de um mês.

O ouro encerrou a segunda-feira (30) praticamente de lado em Nova York, mas a estabilidade do dia esconde uma correção mais ampla. O contrato futuro negociado na Comex fechou a US$ 4.038,50 por onça-troy, com variação negativa de 0,01%, perto do piso recente do metal e distante dos níveis observados no início do ano.

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Desde fevereiro, a cotação acumula perda de cerca de 25%. Só em junho, o recuo ficou próximo de 12%, em um movimento que combina dois vetores: a expectativa de avanço nas conversas entre Estados Unidos e Irã e a leitura de que o Federal Reserve, o banco central americano, não tem pressa para cortar juros.

O ouro costuma ganhar força em períodos de guerra, sanções e instabilidade porque funciona como ativo de proteção. Quando a tensão geopolítica diminui, parte desse prêmio desaparece. É esse ajuste que o mercado tenta precificar agora, diante da possibilidade de nova rodada diplomática envolvendo Washington e Teerã, embora ainda sem um acordo formal anunciado.

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O impasse em torno do Irã ganhou peso nos preços de commodities nas últimas semanas. A perspectiva de distensão já havia aliviado o petróleo e reduzido a pressão sobre o Estreito de Ormuz, uma das passagens mais sensíveis para o comércio global de energia. No ouro, o efeito aparece de outra forma: menos temor de escalada militar significa menor demanda por proteção.

Juros altos tiram força do metal

A política monetária dos Estados Unidos ampliou a pressão. Com a inflação ainda resistente, o Fed mantém discurso cauteloso e reforça a percepção de que os juros podem permanecer elevados por mais tempo. Esse cenário favorece títulos do Tesouro americano e outros ativos que pagam rendimento, enquanto o ouro, por não oferecer juros, perde atratividade relativa.

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Na prática, o investidor compara proteção com remuneração. Quando o risco geopolítico sobe, o ouro tende a compensar a ausência de rendimento. Quando esse risco diminui e os juros seguem altos, a balança muda. A queda recente mostra que parte do mercado deixou de pagar caro pelo seguro contra uma crise mais aguda no Oriente Médio.

Negociações e inflação definem o próximo movimento

Nas próximas semanas, o metal deve seguir sensível a dois gatilhos. O primeiro é diplomático: qualquer sinal concreto de avanço ou ruptura nas conversas entre Estados Unidos e Irã pode alterar rapidamente o prêmio de risco. O segundo vem da economia americana: novos dados de inflação podem reforçar ou aliviar a aposta em juros altos por mais tempo.

Por ora, o quadro é de cautela. O ouro ainda preserva seu papel de proteção em carteiras globais, mas opera sob pressão enquanto o mercado enxerga menor risco de choque geopolítico imediato e maior retorno em ativos de renda fixa. Sem uma mudança relevante nesses dois pontos, a cotação tende a continuar próxima da faixa dos US$ 4 mil por onça-troy.


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