O senador Izalci Lucas (PL-DF) se prepara para tentar a reeleição ao Senado em 2026 caso Michelle Bolsonaro recue da ideia de disputar a vaga pelo Distrito Federal. O movimento reposiciona o PL no tabuleiro local e expõe o efeito prático da crise entre a ex-primeira-dama e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a montagem das chapas bolsonaristas.
Michelle nunca oficializou candidatura ao Senado, mas passou a ser tratada por aliados como um nome competitivo no DF. A indefinição abriu espaço para Izalci, que já ocupa uma das cadeiras do estado desde 2019 e busca preservar o controle do partido sobre a vaga em disputa.
Nos bastidores do PL-DF, a articulação envolve também a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), cotada para compor a chapa majoritária. A governadora Celina Leão (PP), que comanda a base governista local, acompanha a movimentação dos aliados antes de fechar o desenho eleitoral para 2026.
Indefinição de Michelle reorganiza o PL no Distrito Federal
A vaga do Senado no DF virou uma das peças mais sensíveis da direita porque combina três interesses: a tentativa de manter Michelle no centro da política nacional, o projeto de reeleição de Izalci e a necessidade de unidade do PL em torno da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Izalci foi eleito senador em 2018 pelo PSDB e migrou para o PL em 2022, aproximando-se do campo bolsonarista. Se Michelle deixar o caminho livre, ele tende a reivindicar a prioridade natural dentro do partido: tem mandato, base local e presença institucional no Senado.
O problema para o PL é o calendário político. Quanto mais a decisão de Michelle demora, maior a disputa por espaço entre aliados no DF. A demora também dificulta a costura com Celina Leão e com lideranças que precisam definir palanques, suplências e alianças proporcionais.
Crise familiar pesa sobre a estratégia de 2026
A tensão entre Michelle e Flávio Bolsonaro deixou de ser apenas um ruído familiar e passou a contaminar a estratégia eleitoral do PL. A ex-primeira-dama procurou Valdemar Costa Neto, presidente da sigla, para tentar conter a crise, enquanto gestos nas redes sociais alimentaram a leitura de afastamento dentro do clã Bolsonaro.
O desconforto no partido ocorre porque Flávio tenta se apresentar como herdeiro político do bolsonarismo em 2026 e vinha usando a imagem de Michelle como ativo eleitoral. Uma disputa aberta entre os dois reduz a capacidade de coordenação da campanha e dá munição a adversários.
Michelle, por sua vez, tem capital próprio entre eleitores conservadores e evangélicos. Por isso, sua eventual candidatura ao Senado no DF não é apenas uma escolha local: ela interfere na narrativa nacional do PL e no equilíbrio de forças dentro da família Bolsonaro.
Próximo passo é a decisão de Michelle
O desfecho depende da posição da ex-primeira-dama. Se Michelle confirmar a candidatura, Izalci perde espaço para disputar a vaga pelo PL. Se ela recuar, o senador ganha força para se apresentar como alternativa imediata do partido no Distrito Federal.
Até lá, a tendência é de pressão crescente sobre Valdemar Costa Neto para arbitrar a disputa e evitar que a crise nacional do bolsonarismo comprometa a montagem da chapa no DF.









