O dólar recuou para R$ 5,1782 nesta quinta-feira (25), encerrando dois pregões de alta, após a inflação nos Estados Unidos vir em linha com as expectativas e aliviar a pressão sobre moedas emergentes.
O movimento cambial, porém, convive com um cenário doméstico mais duro. No mesmo dia, o Banco Central revisou para cima as projeções de inflação e crescimento para 2026: o índice de preços passou a 5,2% e o Produto Interno Bruto (PIB), a 2,0%, segundo o Relatório de Política Monetária.
Dólar interrompe sequência de alta
A cotação de R$ 5,1782 põe fim a uma valorização que havia levado a moeda americana a R$ 5,22, nível não visto desde o fim de março. O dado externo que aliviou o câmbio foi a inflação americana dentro do esperado — cenário que reduz a percepção de que o Federal Reserve precisará manter juros altos por mais tempo e enfraquece o dólar no mundo todo.
No Brasil, o IPCA-15 desacelerou a 0,41% em junho, mas a inflação em 12 meses segue em 4,80%, acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central. O indicador teve impacto secundário sobre o câmbio, que reagiu principalmente ao cenário externo.
BC vê inflação como choque de oferta e mantém corte em aberto
A revisão da projeção de inflação para 5,2% confirma a deterioração das expectativas que já apertava a margem do Comitê de Política Monetária (Copom). Um diretor do Banco Central avaliou a pressão sobre os preços como decorrente de choque de oferta e deixou em aberto a possibilidade de um novo corte da Selic, atualmente em 14,25% ao ano.
A leitura é ambígua: a inflação acima da meta limita o espaço para cortes rápidos, mas a caracterização como choque de custo abre margem para flexibilização gradual. A revisão do PIB para 2,0% indica atividade mais resistente, o que sustenta emprego e renda, mas também complica o controle dos preços.
Câmbio menor alivia, mas juros seguem pesados
Para consumidores e empresas, o dólar a R$ 5,1782 reduz parte da pressão sobre produtos importados, insumos dolarizados e custos de cadeias ligadas a commodities. O efeito, porém, não se reflete automaticamente nos preços finais.
O orçamento das famílias permanece mais sensível à inflação projetada em 5,2% e à Selic de 14,25%. Juros nesse patamar encarecem crédito, financiamento, capital de giro e renegociação de dívidas, mesmo quando o câmbio recua em um único pregão.
Copom pesa dados antes da reunião de agosto
A próxima reunião do Copom, em agosto, será o termômetro do mercado. A nova projeção de inflação em 5,2% afeta diretamente a discussão sobre o ritmo dos juros. Até lá, câmbio, inflação corrente e expectativas devem continuar moldando o tom do debate entre manutenção e eventual corte da Selic.










