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Economia

PEC do Banco Central avança no Senado e abre disputa sobre orçamento próprio

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Texto segue ao plenário e exige apoio qualificado para mudar a Constituição
  • Governo tentou alterar a proposta, mas o relator rejeitou a emenda
  • Mudança separa o Banco Central do Orçamento federal e amplia sua autonomia
  • Autonomia operacional já existe desde 2021, com mandatos fixos para a diretoria
  • Pix foi incluído no texto constitucional durante a tramitação

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou nesta quarta-feira (10) a PEC 65/2023, que amplia a autonomia do Banco Central e dá à autoridade monetária independência financeira e orçamentária. A proposta segue agora para o plenário, onde precisará de ao menos 49 votos favoráveis em dois turnos para avançar.

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A votação foi simbólica e ocorreu depois de uma tentativa do governo de alterar o texto. A equipe econômica apresentou uma emenda alternativa, mas o relator, senador Plínio Valério (PSDB-AM), rejeitou as mudanças. Com isso, prevaleceu a versão que transforma o Banco Central de autarquia em entidade pública de natureza especial.

A mudança leva a autonomia do BC a um novo patamar. Desde 2021, a instituição já tem autonomia operacional, com mandatos fixos de quatro anos para presidente e diretores, sem coincidência obrigatória com o mandato do presidente da República. A PEC agora desloca a disputa para o orçamento: define mais liberdade para a instituição planejar despesas, gerir recursos e organizar sua estrutura interna.

Disputa sai dos mandatos e chega ao controle do dinheiro

O ponto mais sensível é o alcance da autonomia financeira. Para defensores da PEC, a mudança protege o Banco Central de pressões políticas e dá previsibilidade a uma instituição responsável por juros, inflação, câmbio, regulação bancária e estabilidade do sistema financeiro. Para críticos e integrantes do governo, o texto exige cuidado porque pode reduzir o controle do Executivo e do Congresso sobre uma área que também produz efeitos fiscais.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou apoiar a autonomia do Banco Central, mas defendeu cautela no desenho da proposta. A posição resume a linha adotada pela equipe econômica: o governo não se opõe à autonomia em si, mas tentou negociar limites e ajustes antes da votação na comissão.

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A resistência não impediu o avanço do texto. A análise já havia sido adiada em maio por pedido de vista, o que abriu espaço para negociação. Na retomada, a CCJ aprovou a proposta sem contagem nominal de votos, sob comando do presidente da comissão, senador Otto Alencar (PSD-BA).

Pix gratuito entra na Constituição

A PEC também inclui o Pix na Constituição e prevê a gratuidade do sistema de pagamentos instantâneos. O dispositivo dá status constitucional a uma ferramenta que se tornou central no dia a dia de consumidores, empresas, bancos e governos, usada para transferências, compras, pagamentos de contas e repasses públicos.

Na prática, esse trecho busca blindar o Pix gratuito de mudanças infraconstitucionais. Como o sistema é operado pelo Banco Central, a inclusão do tema na PEC aproxima a autonomia da autoridade monetária de uma política pública de grande alcance popular, o que tende a ampliar o peso político da votação em plenário.

Texto precisa de 49 votos no plenário

A proposta em tramitação é a PEC 65/2023. A identificação correta é importante porque é por esse número que senadores, emendas, relatórios e etapas legislativas devem ser acompanhados no Senado.

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O próximo teste será no plenário. Por se tratar de uma emenda à Constituição, a PEC precisa ser aprovada por três quintos dos senadores, o equivalente a 49 votos, em dois turnos. Se passar pelo Senado, ainda terá de cumprir o rito constitucional antes de eventual promulgação.

A CCJ não marcou data para a votação em plenário. Até lá, a disputa deve se concentrar no tamanho da autonomia orçamentária do Banco Central e na margem de controle que governo e Congresso manterão sobre a autoridade responsável por conduzir a política monetária do país.