Cavalos identificam o medo humano pelo olfato, conclui estudo do INRAE, instituto francês de pesquisa agrícola, publicado em 21 de janeiro na revista PLOS Biology. O achado dá lastro científico à equoterapia, que já soma mais de 3 mil atendimentos públicos no Piauí e no Paraná.
Nos testes, os animais foram expostos a amostras de suor humano coletadas em situações de medo e de calma. A reação comportamental diante das amostras associadas ao medo indicou capacidade de leitura química do estado emocional. O resultado se soma a duas linhas de pesquisa em discussão internacional: a leitura de expressões faciais e a sincronização entre os batimentos cardíacos do animal e do humano, retomada em publicação de 29 de maio.
O Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP) define a equoterapia como abordagem que utiliza a relação entre humanos e cavalos para promover desenvolvimento físico, emocional e cognitivo. A entidade evita falar em cura ou em eficácia superior a outras terapias: para o conselho, os estudos ajudam a explicar a conexão, não a validá-la como tratamento exclusivo.
Escala pública cresce sem protocolo nacional
No Piauí, o governo estadual contabiliza mais de 2.900 atendimentos de equoterapia em crianças. No Paraná, o núcleo da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), em Bandeirantes, atende 105 pessoas. Os dois programas operam com recursos públicos e demanda crescente, sem um protocolo clínico padronizado em escala nacional.
A distância entre evidência laboratorial e prática clínica é o ponto sensível. As pesquisas internacionais descrevem como o cavalo capta sinais humanos, mas não estabelecem dose, frequência nem perfil de paciente para o qual a terapia traria benefício mensurável. Sem esse desenho, o atendimento segue baseado na experiência das equipes.
O estudo do INRAE entra na fila de evidências que sustentam a conexão entre humanos e cavalos por uma rota nova — o olfato — e reforça o argumento dos núcleos públicos de equoterapia para ampliar atendimento. A régua clínica que padronize indicação, duração e comparação com outras terapias é o próximo passo cobrado pelo próprio CRMV-SP.











