A China aprovou o primeiro chip cerebral invasivo do mundo para uso médico, informou nesta segunda-feira (1º) a publicação especializada MIT Technology Review. O dispositivo foi implantado em um paciente paralisado, identificado como Dong Hui, que em outubro de 2025 usou o chip para tentar segurar uma caneta.
Trata-se de uma interface cérebro-máquina (BCI, na sigla em inglês) do tipo invasivo. O chip é implantado diretamente no cérebro para captar sinais neurais e traduzi-los em comandos a aparelhos externos. É a mesma categoria perseguida pela norte-americana Neuralink, de Elon Musk, e se distingue dos modelos não invasivos, que dependem de eletrodos sobre o couro cabeludo e captam sinais mais difusos.
O caso de Dong Hui
O paciente é a vitrine clínica da nova tecnologia. A aposta central do implante é devolver funções motoras perdidas após lesões medulares, AVCs ou doenças degenerativas, por meio da tradução da atividade cerebral em movimento assistido.
A demonstração, restrita a um caso individual, não substitui ensaios clínicos em larga escala. O governo chinês não divulgou o nome da instituição desenvolvedora, a agência reguladora que autorizou o uso, o número de pacientes implantados nem os custos do procedimento.
Aposta estatal na corrida das BCIs
A aprovação se inscreve em uma disputa tecnológica mais ampla. A MIT Technology Review descreveu, em sua newsletter The Download, as ambições chinesas em implantes cerebrais como parte de uma estratégia estatal para liderar setores considerados estratégicos. Na semana passada, o PIRANOT mostrou que Pequim ampliou restrições de viagem a talentos de inteligência artificial em empresas privadas, outro sinal do controle do governo sobre tecnologias sensíveis.
A próxima etapa concreta é a publicação, pelas autoridades chinesas, do ato regulatório que autorizou o uso, com as condições de monitoramento e o prazo da licença. Sem esses dados, a decisão estabelece um precedente global na corrida pelas interfaces cérebro-máquina, mas ainda não permite medir o alcance clínico nem a viabilidade comercial da tecnologia.










