Carol Celico, empresária e ex-mulher do ex-jogador Kaká, publicou um vídeo em seu perfil no Instagram em 28 de maio de 2026 para desmentir uma frase que circula há anos nas redes sociais: a de que ela teria se separado do pai de seus filhos mais velhos por ele ser “perfeito demais”. A declaração, que ganhou força como uma suposta confissão inusitada, nunca foi dita por ela — e Celico decidiu romper o silêncio após uma nova onda de mensagens hostis.
“Eu nunca falei que eu me separei do Kaká, do pai dos meus filhos mais velhos, porque ele era perfeito demais. Isso é uma mentira”, afirmou de forma direta no vídeo. A gravação, de cerca de quatro minutos, foi a primeira manifestação pública específica sobre o boato, que surgiu a partir de uma entrevista concedida por ela em 2022 e que, ao longo do tempo, foi distorcida em páginas de fofoca e perfis de celebridades.
A distorção ocorreu, segundo Celico, porque a conversa original foi editada de maneira seletiva. Na entrevista de 2022, ela recordou as qualidades de Kaká como marido e pai, mas destacou que a felicidade conjugal não se sustentava apenas nas virtudes individuais. O trecho que viralizou omitiu o contexto e transformou sua reflexão em uma frase cômica, como se a separação tivesse sido motivada por um incômodo com a excelência do parceiro. “A entrevista foi sobre resiliência e recomeço, e eu jamais reduziria uma história de dez anos a uma piada”, explicou a empresária no mesmo vídeo, acrescentando: “O que fizeram com minhas palavras foi cruel, e as pessoas me atacam até hoje como se eu tivesse dito aquilo”.
Carol Celico e Kaká se casaram em dezembro de 2005, quando ambos tinham 18 anos, e a união foi um dos casamentos mais badalados do futebol brasileiro na época. O casal teve dois filhos — Luca, nascido em 2008, e Isabella, em 2011 — e anunciou a separação amigável em agosto de 2014, quando o jogador defendia o Orlando City, nos Estados Unidos. À época, Celico morou com as crianças na Flórida por alguns meses antes de retornar ao Brasil. O divórcio foi oficializado no ano seguinte, e desde então ambos mantêm uma relação cordial, focada na criação dos filhos.
O PIRANOT acompanhou a trajetória de Celico desde os primeiros rumores de separação e, em agosto de 2014, noticiou com exclusividade o anúncio oficial do casal, em reportagem que destacava os termos do acordo de guarda compartilhada e a decisão de manter a discrição sobre os detalhes da vida familiar. A cobertura de 2014 continua disponível no acervo digital do jornal, reforçando o compromisso editorial de tratar o tema com sobriedade e profundidade.
A nova leva de comentários hostis que motivou o vídeo de 2026 coincide com o aumento de publicações sobre separações de celebridades que viralizam como piada ou meme. Psicólogos da interface entre cultura digital e saúde mental, em análises recentes não vinculadas a este caso, apontam que a descontextualização de entrevistas antigas é um dos principais fatores de amplificação do assédio online, especialmente quando o conteúdo é reembalado por perfis de humor que alcançam milhões de visualizações. A falta de ações rápidas das plataformas para corrigir a circulação de informações distorcidas, segundo especialistas do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS), perpetua o dano por anos, mesmo quando a própria pessoa desmente.
Até a publicação desta reportagem, a assessoria de Kaká não havia se manifestado sobre o episódio. O ex-jogador, que em 2025 passou a integrar o conselho de administração do São Paulo Futebol Clube, manteve silêncio nas redes. A entrevista original de 2022 não foi recuperada integralmente pela equipe do PIRANOT, pois o conteúdo foi excluído pelo portal que a veiculou originalmente, uma prática que dificulta a responsabilização de agentes que distorcem falas públicas. Ainda assim, Celico planeja disponibilizar o material completo em um documentário pessoal que produzirá ao longo do segundo semestre, como antecipou no vídeo.
Enquanto o documentário não é lançado, o que fica é o alerta de uma pessoa que viu suas palavras sobre a vida pessoal, ditas com honestidade, virarem um produto de consumo viral sem lastro na verdade. “Cada compartilhamento dessa frase inventada é um soco no estômago”, desabafou Celico, com a voz embargada, nos momentos finais da gravação. Seus seguidores — são mais de 2,5 milhões no Instagram — reagiram com apoio, e a tag #EuAcreditoNaCarol entrou para os assuntos do momento no Twitter na madrugada seguinte à postagem.
A reportagem do PIRANOT continuará acompanhando os desdobramentos do caso, incluindo eventuais posicionamentos da plataforma que hospedou a falsa citação, bem como a produção do documentário citado pela empresária.











