Uma greve de fome iniciada há cinco dias por imigrantes detidos no centro Delaney Hall, em Newark, Nova Jersey, elevou as tensões nesta quarta-feira (27), com confrontos entre manifestantes externos e agentes federais do lado de fora da unidade. Segundo cruzamento de informações da imprensa internacional e relatos de grupos de apoio aos imigrantes, entre 300 e 400 pessoas participam do protesto contra condições degradantes, recusando alimentação e trabalho forçado.
Os detentos exigem melhorias na alimentação — denunciada como estragada em diversos relatos —, atendimento médico adequado, ventilação nas celas e andamento mais rápido de seus processos migratórios. A unidade, administrada pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), acumula denúncias de sobrelotação, água contaminada e falta de cuidados básicos. “Não somos criminosos”, afirmou um dos detidos em entrevista à imprensa, reforçando que se tratam de pessoas em situação migratória irregular, não de condenados por crimes comuns.
As condições dentro de Delaney Hall foram descritas por ativistas e detentos como “degradantes e desumanas”, com relatos de refeições impróprias para consumo, água com aparência suja e ausência de assistência médica para casos urgentes. A instalação funciona sob gestão privada conveniada com o governo federal, modelo que há anos gera disputas sobre fiscalização e responsabilidade.
Impedimento da governadora reacende debate federativo
A crise ganhou contornos institucionais na segunda-feira (26), quando a governadora de Nova Jersey, Mikie Sherrill, teve o acesso negado à instalação. A democrata, primeira governadora em exercício do estado a tentar fiscalizar o local, foi barrada por agentes do ICE sob a alegação de que a instalação é de jurisdição federal. O impedimento provocou reação imediata de grupos de direitos humanos e reacendeu o debate sobre a transparência nos centros de detenção migratória.
O episódio expõe a tensão entre autoridades estaduais e federais sobre a fiscalização de instalações que, embora localizadas em território estadual, operam sob controle direto do governo dos Estados Unidos. Sherrill deve buscar vias legais para realizar a inspeção, segundo assessores.
Contexto histórico e crise na cúpula do ICE
O ICE foi criado em 2003, após os atentados de 11 de setembro, como parte da reestruturação de segurança nacional dos Estados Unidos. Desde sua criação, o órgão acumula histórico de críticas por condições precárias em suas instalações, mortes de detidos e denúncias de abuso. Centros como Delaney Hall funcionam sob gestão privada ou conveniada, o que segundo especialistas dificulta a fiscalização e gera conflitos sobre responsabilidade legal.
O momento é particularmente sensível: Todd Lyons, diretor interino do ICE desde março de 2025, renunciou ao cargo no fim de maio de 2026. Lyons era responsável pela expansão das ações de repressão migratória sob a administração Trump. A renúncia coincide com a escalada de denúncias sobre condições nos centros de detenção.
Repercussão e situação de brasileiros
Manifestantes reunidos do lado de fora de Delaney Hall foram confrontados por agentes federais nesta quarta. Não há informação oficial sobre brasileiros entre os detidos em greve. O caso de Junior Pena, influenciador brasileiro que se declarou apoiador de Trump e permaneceu 60 dias detido pelo ICE até ser solto recentemente, ilustra a situação de nacionais do Brasil sob políticas migratórias endurecidas.
Organizações de direitos humanos acompanham a situação e pressionam por fiscalização independente. O ICE não divulgou resposta oficial às denúncias até o momento. A unidade Delaney Hall, localizada em uma área industrial de Newark, tem capacidade para cerca de 2.000 detentos e é uma das maiores da região.
O PIRANOT acompanha a cobertura de centros de detenção migratória nos Estados Unidos. Leia também: EUA exigem retorno ao país de origem para solicitar green card.











