sábado, 18 de julho de 2026
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Entre 300 e 400 detidos protestam contra condições degradantes; governadora foi impedida de entrar na unidade de Newark em episódio que reacende debate sobre fiscalização de instalações federais.

Greve de fome em centro do ICE aumenta tensão em Nova Jersey

Entre 300 e 400 detidos protestam contra condições degradantes; governadora foi impedida de entrar na unidade de Newark em episódio que reacende debate sobre fiscalização de instalações federais.

· 4 min de leitura · Atualizado em 31.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • Protesto envolve entre 300 e 400 pessoas na unidade Delaney Hall em Newark.
  • Detentos exigem melhorias na alimentação, atendimento médico e ventilação.
  • Mikie Sherrill foi a primeira governadora em exercício impedida de fiscalizar o local.
  • Manifestantes e agentes federais confrontaram-se do lado de fora da instalação.

Uma greve de fome iniciada há cinco dias por imigrantes detidos no centro Delaney Hall, em Newark, Nova Jersey, elevou as tensões nesta quarta-feira (27), com confrontos entre manifestantes externos e agentes federais do lado de fora da unidade. Segundo cruzamento de informações da imprensa internacional e relatos de grupos de apoio aos imigrantes, entre 300 e 400 pessoas participam do protesto contra condições degradantes, recusando alimentação e trabalho forçado.

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Os detentos exigem melhorias na alimentação — denunciada como estragada em diversos relatos —, atendimento médico adequado, ventilação nas celas e andamento mais rápido de seus processos migratórios. A unidade, administrada pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), acumula denúncias de sobrelotação, água contaminada e falta de cuidados básicos. “Não somos criminosos”, afirmou um dos detidos em entrevista à imprensa, reforçando que se tratam de pessoas em situação migratória irregular, não de condenados por crimes comuns.

As condições dentro de Delaney Hall foram descritas por ativistas e detentos como “degradantes e desumanas”, com relatos de refeições impróprias para consumo, água com aparência suja e ausência de assistência médica para casos urgentes. A instalação funciona sob gestão privada conveniada com o governo federal, modelo que há anos gera disputas sobre fiscalização e responsabilidade.

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Impedimento da governadora reacende debate federativo

A crise ganhou contornos institucionais na segunda-feira (26), quando a governadora de Nova Jersey, Mikie Sherrill, teve o acesso negado à instalação. A democrata, primeira governadora em exercício do estado a tentar fiscalizar o local, foi barrada por agentes do ICE sob a alegação de que a instalação é de jurisdição federal. O impedimento provocou reação imediata de grupos de direitos humanos e reacendeu o debate sobre a transparência nos centros de detenção migratória.

O episódio expõe a tensão entre autoridades estaduais e federais sobre a fiscalização de instalações que, embora localizadas em território estadual, operam sob controle direto do governo dos Estados Unidos. Sherrill deve buscar vias legais para realizar a inspeção, segundo assessores.

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Contexto histórico e crise na cúpula do ICE

O ICE foi criado em 2003, após os atentados de 11 de setembro, como parte da reestruturação de segurança nacional dos Estados Unidos. Desde sua criação, o órgão acumula histórico de críticas por condições precárias em suas instalações, mortes de detidos e denúncias de abuso. Centros como Delaney Hall funcionam sob gestão privada ou conveniada, o que segundo especialistas dificulta a fiscalização e gera conflitos sobre responsabilidade legal.

O momento é particularmente sensível: Todd Lyons, diretor interino do ICE desde março de 2025, renunciou ao cargo no fim de maio de 2026. Lyons era responsável pela expansão das ações de repressão migratória sob a administração Trump. A renúncia coincide com a escalada de denúncias sobre condições nos centros de detenção.

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Repercussão e situação de brasileiros

Manifestantes reunidos do lado de fora de Delaney Hall foram confrontados por agentes federais nesta quarta. Não há informação oficial sobre brasileiros entre os detidos em greve. O caso de Junior Pena, influenciador brasileiro que se declarou apoiador de Trump e permaneceu 60 dias detido pelo ICE até ser solto recentemente, ilustra a situação de nacionais do Brasil sob políticas migratórias endurecidas.

Organizações de direitos humanos acompanham a situação e pressionam por fiscalização independente. O ICE não divulgou resposta oficial às denúncias até o momento. A unidade Delaney Hall, localizada em uma área industrial de Newark, tem capacidade para cerca de 2.000 detentos e é uma das maiores da região.

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O PIRANOT acompanha a cobertura de centros de detenção migratória nos Estados Unidos. Leia também: EUA exigem retorno ao país de origem para solicitar green card.


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