O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite desta segunda-feira (18) a suspensão do ataque militar planejado contra o Irã, previsto para 19 de maio, e afirmou haver “negociações sérias” em curso para encerrar a guerra. A declaração foi feita em post na rede social Truth Social, plataforma do próprio Trump.
“Instruí o secretário de Guerra, Pete Hegseth, o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Daniel Caine, e os militares dos Estados Unidos que NÃO realizaremos amanhã o ataque programado ao Irã”, escreveu Trump. Na mesma publicação, o presidente acrescentou que ordenou aos militares que se mantenham prontos “para avançar com um assalto em grande escala ao Irã, a um aviso de momento”, caso não se chegue a um acordo aceitável. A repercussão internacional do post foi registrada por veículos como Reuters, Bloomberg, Washington Post e CNN.
Segundo o post, Trump atendeu a pedido de líderes do Golfo — o emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani; o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman; e o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed Al Nahyan — para conceder dois a três dias adicionais às tratativas. A reação imediata nos mercados foi de queda de mais de US$ 2 no preço do barril de petróleo, conforme cobertura da Bloomberg, com recuperação parcial ao longo do dia. O eventual bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo global, segue como principal foco de tensão na crise.
Negociações e alinhamentos estratégicos no Oriente Médio
O recuo tático de Trump ocorre em meio a uma agenda diplomática intensa. Em 27 de abril, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, reuniu-se com o presidente russo Vladimir Putin em São Petersburgo, segundo cobertura da agência AP. O encontro, cujo conteúdo não foi divulgado, reforça o alinhamento entre Moscou e Teerã em meio à pressão americana e às discussões sobre o programa nuclear iraniano.
Paralelamente, Trump iniciou em 12 de maio uma cúpula com o presidente chinês Xi Jinping. A aproximação entre Rússia e China é observada por analistas como contraponto estratégico à pressão militar americana no Golfo Pérsico. No texto da Truth Social, Trump ressaltou que o acordo em negociação “incluirá, importantemente, NENHUMA ARMA NUCLEAR PARA O IRÔ.
Próximos passos nas negociações e riscos de renovação do conflito
O cessar-fogo anunciado em 7 de abril tem duração prevista de duas semanas, e as partes ainda buscam um acordo que contemple as exigências iranianas, rejeitadas por Trump em 12 de maio. A reabertura definitiva do Estreito de Ormuz depende da retirada do bloqueio militar americano, principal ponto de impasse.
De acordo com o próprio post de Trump na Truth Social, os comandos militares americanos receberam ordem expressa para se manterem prontos a retomar a ofensiva “a um aviso de momento” caso as negociações fracassem. O cenário permanece volátil, com impacto direto nos mercados globais de energia e a expectativa de uma definição nas próximas semanas.
Correção (20/05/2026): Atribuição corrigida após verificação de fonte primária. A declaração de Trump não foi dada em entrevista à CNN Brasil — o anúncio original ocorreu em post na rede Truth Social, publicado na noite de 18 de maio. Citação direta do post foi acrescentada. Atribuição sobre prontidão militar deixou de citar o R7 e passou a referenciar o próprio post de Trump (fonte primária) e cobertura de Reuters, Bloomberg e Washington Post.










