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No dia 5 de maio, no auditório Walter Barelli do DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, realizamos o lançamento dos resultados da pesquisa Condições de Trabalho e Saúde do Funcionalismo Público Estadual de São Paulo.
Esse estudo foi realizado pelo DIEESE, por iniciativa da Frente Parlamentar em Defesa da Saúde e Direitos do Funcionalismo, que coordeno na Assembleia Legislativa, em parceria com a APEOESP – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, a AFUSE – Sindicato dos Funcionários da Secretaria Estadual da Educação, e o SindSaúde-SP – Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo.
Os dados evidenciam com clareza algo que já estava presente, mas que se agravou demasiadamente na gestão do governador Tarcísio de Freitas: as condições de trabalho, a sobrecarga, o autoritarismo, as pressões e a digitalização estão adoecendo professores e funcionários da Educação e os trabalhadores da Saúde.
Entre os dados que posso destacar na Educação, a digitalização do trabalho vem implicando aumento de volume de trabalho e desgaste de professores e funcionários: dos participantes do estudo, 69,6% apontam aumento de tarefas fora do expediente; 85,1% relatam aumento de ritmo durante o expediente; e 83,1% informam aumento de tarefas durante o expediente. Entre os profissionais da Educação que participaram do estudo, 80,2% associam o adoecimento físico ao trabalho na Educação pública e 60,3% informam que já tiveram que se afastar do trabalho por adoecimento.
Na Saúde, 80,2% apontam relação entre adoecimento físico e trabalho; 97,6% informam adoecimento mental ou emocional relacionado ao trabalho; 60,3% relatam ter se afastado do trabalho por adoecimento físico; e 24,8% pediram afastamento do trabalho por adoecimento mental. Esses profissionais relatam, nos últimos cinco anos, 41% com ansiedade ou pânico; 33,5% com distúrbios do sono ou insônia; e 29,8% com depressão.
São números contundentes, que confirmam uma realidade que vimos denunciando há muitos anos, mas é inegável que houve um agravamento desta situação nos últimos três anos, tendo em vista a política deliberada do governo de Tarcísio de Freitas de realizar uma gestão marcada pela centralização, pelo autoritarismo e pelo assédio moral sobre o funcionalismo. Os resultados verificados na Educação e na Saúde certamente podem ser replicados, em maior ou menor grau, nos demais segmentos dos serviços públicos. Segundo levantamento realizado pelo jornal O Globo, publicado em 25 de junho de 2025, houve quase 3.500 solicitações de licença psiquiátrica entre janeiro de 2020 e meados de 2025, uma média de dois casos por dia. Houve um salto de 476 casos em 2020 para uma tendência superior a 800 casos em 2025, mostrando um agravamento desta situação durante o governo Tarcísio.
Um encaminhamento imediato é a parceria que iremos firmar com a Fundacentro, do governo federal, para organizarmos um observatório da saúde do funcionalismo público estadual. A Fundacentro participou do lançamento, apresentando dados sobre os afastamentos dos servidores por motivos de saúde.
A equipe responsável pela pesquisa produzirá uma publicação analítica contendo todos os dados, para que possam ser conhecidos e debatidos pela sociedade, sobretudo nas entidades e instituições vinculadas a esses serviços públicos. Inegavelmente, esses dados também poderão subsidiar o posicionamento das pessoas em relação às eleições gerais de outubro, pois o agravamento das condições de trabalho e de saúde dos funcionários públicos afeta a qualidade e continuidade do atendimento à população. O eleitorado paulista terá a oportunidade de definir qual é o padrão e o alcance dos serviços públicos que deseja para o nosso estado.
Professora Bebel é deputada estadual pelo PT e primeira presidenta licenciada da APEOESP.











