sábado, 18 de julho de 2026
MERCADO
IBOVESPA 173.714 pts▼ 1,30%DOW JONES 52.146 pts▼ 0,97%NASDAQ 25.520 pts▼ 2,85%S&P 500 7.458 pts▼ 1,51%DÓLAR R$ 5,11▼ 0,18%EURO R$ 5,87▲ 0,23%BITCOIN R$ 328.066▲ 1,60%ETHEREUM R$ 9.456▲ 0,80%SELIC 14,25%CDI 14,15%IPCA 12M 4,64%
Publicidade
Sentença da Justiça Federal em São Paulo responsabiliza montadora por burlar testes de emissão de poluentes; consumidores podem buscar indenização individual

Volkswagen é condenada a pagar R$ 15 milhões por fraudar emissões em 17 mil picapes Amarok

Sentença da Justiça Federal em São Paulo responsabiliza montadora por burlar testes de emissão de poluentes; consumidores podem buscar indenização individual

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Justiça Federal condena Volkswagen do Brasil a pagar R$ 15 milhões por danos morais coletivos devido a software fraudulento em picapes Amarok.
  • Ao menos 17 mil unidades dos modelos 2011 e 2012 saíram de fábrica com o dispositivo, que burlava os testes de emissão de NOx.
  • Em condições reais, as emissões chegavam a 1,1 g/km, acima do limite de 1 g/km do Proconve para motores a diesel na época.
  • A fraude configura dano moral coletivo e, segundo o MPF, vicia a comercialização, permitindo indenizações individuais aos consumidores.
  • A Volkswagen realizou recall em 2015, mas a multa só foi aplicada agora, quase 11 anos após o escândalo do Dieselgate.

Onze anos após o escândalo global do “Dieselgate”, a Justiça Federal condenou a Volkswagen do Brasil a pagar R$ 15 milhões por danos morais coletivos. A decisão, proferida neste dia 12, partiu da 12ª Vara Cível Federal de São Paulo, que acolheu ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF). A sentença reconheceu que a montadora equipou ilegalmente ao menos 17 mil picapes Amarok dos modelos 2011 e 2012 com um software que fraudava os controles de emissão de óxidos de nitrogênio (NOx).

Publicidade

Segundo a investigação do MPF, o dispositivo — conhecido como “defeat device” — detectava quando o veículo estava em ambiente de teste laboratorial e reduzia artificialmente a liberação de poluentes para se enquadrar nos limites legais. Em condições reais de uso, as picapes emitiam até 1,1 grama de NOx por quilômetro rodado. Esse valor superava o teto de 1 g/km estabelecido pelo Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) para motores a diesel na época.

A fraude do software e o recall tardio

A fraude veio a público em setembro de 2015, quando a matriz alemã admitiu que 11 milhões de veículos em todo o mundo traziam o código adulterado. No Brasil, a Volkswagen anunciou, ainda naquele ano, um recall para as 17 mil unidades da Amarok — conforme dados da empresa — a fim de remover o software irregular. À época, a montadora alegou que a atualização era voluntária e que os veículos não ofereciam risco à segurança.

Publicidade

Apesar do recall, o MPF manteve a ação civil pública, argumentando que a simples convocação não reparava os danos ambientais e morais coletivos. A sentença veio quase uma década depois, estabelecendo a multa de R$ 15 milhões, valor que será destinado ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos.

Impactos para os consumidores

Na decisão, o juiz federal Márcio Rached Millani considerou que a fraude no licenciamento ambiental configura dano moral coletivo, pois atinge a confiança do mercado e o direito à informação dos consumidores. O MPF sustentou que a “fraude no licenciamento, por si só, já vicia a comercialização”, abrindo caminho para que proprietários das picapes lesadas ingressem com ações individuais de indenização.

Publicidade

A Procuradoria informou que a reparação individual não está contemplada nesta ação e que cabe a cada consumidor buscar seus direitos na Justiça. A Volkswagen pode recorrer da sentença ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

Escândalo global e precedentes

O Dieselgate já custou à Volkswagen mais de 30 bilhões de euros em multas, indenizações e acordos em diversos países. Nos Estados Unidos, a empresa pagou US$ 14,7 bilhões para encerrar processos civis e criminais. No Brasil, a multa de R$ 15 milhões é considerada simbólica por especialistas, mas a condenação criminal de ex-executivos e a responsabilização por danos individuais seguem em discussão.

Publicidade

O caso das Amarok expõe a fragilidade dos mecanismos de fiscalização ambiental brasileiros à época e reforça a importância de atualizações como o Proconve L8, em vigor desde 2023, que endureceu os limites de emissões para veículos a diesel.


Publicidade
Publicidade