A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou sete casos de hantavírus andino — a única variante com transmissão comprovada entre humanos — em passageiros de um cruzeiro que partiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina. A confirmação contraria a versão das autoridades locais, que negam que o surto tenha se originado na cidade.
O governo da Província da Terra do Fogo afirmou que não há registro de casos autóctones de hantavírus em Ushuaia no período que possam estar vinculados ao navio MV Hondius. A embarcação zarpou em 1º de abril para uma expedição antártica e, durante a viagem, os primeiros sintomas surgiram entre os ocupantes.
A prefeitura de Ushuaia e o governo provincial divergem publicamente sobre a responsabilidade pelo episódio. Enquanto a administração local nega qualquer vínculo, a investigação argentina considera a hipótese de que um passageiro tenha se contaminado em um aterro sanitário antes do embarque. Nenhuma evidência conclusiva foi apresentada até o momento.
Perigo da cepa andina e alerta internacional
A cepa andina, conhecida como vírus Andes, é a única variante de hantavírus com transmissão comprovada entre humanos, o que elevou o alerta epidemiológico internacional. “A transmissão pessoa a pessoa do vírus Andes é uma característica que distingue esta cepa das demais e requer vigilância redobrada”, afirmou um porta-voz da OMS, em comunicado divulgado pela agência.
A OMS classificou os infectados como de alto risco e mantém o rastreamento de contatos secundários em terra firme. O período de incubação do hantavírus pode chegar a seis semanas, segundo dados da organização, o que mantém o risco de novos casos entre viajantes que já retornaram a seus países de origem.
A confirmação da OMS ampliou o temor de contágio comunitário, especialmente porque o navio fez paradas em ilhas da região antes de retornar a Ushuaia. Tripulantes e passageiros permaneceram em quarentena a bordo enquanto amostras eram enviadas para análise laboratorial.
Cronologia do surto e rota do cruzeiro
O primeiro caso de hantavírus a bordo do MV Hondius foi registrado em 5 de abril, segundo o Ministério da Saúde da Argentina. O navio havia partido de Ushuaia rumo à Antártida e navegava em alto-mar quando os sintomas começaram a aparecer.
Um mapa interativo mostra a cronologia das notificações ao longo da rota: as autoridades de saúde argentinas e chilenas passaram a coordenar uma resposta conjunta. A tripulação e os passageiros ficaram isolados a bordo, enquanto exames laboratoriais confirmavam a presença do hantavírus.
A OMS confirmou posteriormente que a cepa detectada era a andina, variante rara e de alta periculosidade. O navio só retornou ao porto de origem após o surto, e o desembarque foi controlado pelas autoridades sanitárias.
Impacto no turismo e na saúde pública regional
Ushuaia, principal porta de entrada para cruzeiros antárticos, enfrenta temores de danos à temporada de inverno. “Não há evidências de que o contágio tenha ocorrido em nosso território”, declarou a prefeitura, segundo a BBC. Apesar da negativa, o caso reacendeu o debate sobre protocolos sanitários em embarcações turísticas.
A Argentina registrou aumento de casos de hantavírus em 2026, mas o Ministério da Saúde argentino afirma que não há relação direta com o surto do cruzeiro. Dados oficiais indicam alta nas notificações, especialmente na região patagônica, com transmissão associada a roedores silvestres.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou a vigilância em portos. “Estamos monitorando qualquer sintoma respiratório em viajantes”, informou a Anvisa. O Paraná notificou casos recentes da doença, porém sem vínculo com o navio. A medida visa conter riscos diante do fluxo turístico na região.
❓ Perguntas frequentes
O que é a cepa andina do hantavírus?
É a única variante de hantavírus com transmissão comprovada entre humanos, detectada em um cruzeiro que partiu de Ushuaia. A OMS confirmou sete casos e alertou para o risco de contágio comunitário.
O surto de hantavírus começou em Ushuaia?
Autoridades locais negam que a infecção tenha se originado na cidade. A investigação argentina considera a hipótese de contaminação em um aterro sanitário antes do embarque, mas não há evidências conclusivas.
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