O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste dia 8 que “não pagaria” os valores cobrados pelos ingressos para a estreia da seleção americana na Copa do Mundo de 2026. A declaração, durante entrevista coletiva na Casa Branca, expõe o descontentamento até mesmo do mandatário do país-sede com os preços praticados pela Fifa. O ingresso mais barato para a partida entre EUA e Paraguai, marcada para 12 de junho em Los Angeles, custa US$ 1.940 (cerca de R$ 10,7 mil) no site oficial da entidade.
A crítica de Trump surge em um momento de crescente pressão sobre a Fifa. Em 24 de março, torcedores europeus protocolaram uma denúncia formal contra a entidade na Comissão Europeia, alegando “preços exorbitantes” e “abuso de monopólio”. O movimento, liderado por associações de fãs de diversos países, argumenta que a estrutura de venda de ingressos viola as leis de concorrência do bloco. “Os valores cobrados são um insulto aos torcedores que sustentam o futebol”, afirmou um representante do grupo, conforme documento encaminhado às autoridades europeias.
A Fifa, por sua vez, defende sua política de preços. O presidente Gianni Infantino já havia declarado que 25% das entradas da fase de grupos custam menos de US$ 300 (aproximadamente R$ 1.660). No entanto, a realidade para jogos de alta demanda, como a estreia dos anfitriões, é bem diferente. O valor de US$ 1.940 refere-se à categoria mais acessível disponível para o confronto no SoFi Stadium. Para a final, o cenário é ainda mais alarmante: ingressos de revenda chegam a ser anunciados por R$ 11 milhões, segundo dados oficiais.
“Eu também não pagaria isso”, disse Trump, ecoando a frustração de milhões de fãs. A declaração foi dada em resposta a uma pergunta sobre os custos para assistir aos jogos da seleção americana. O presidente, conhecido por sua retórica populista, aproveitou para alfinetar a entidade máxima do futebol: “Eles [Fifa] precisam entender que o futebol é para todos, não apenas para os ricos.” A fala repercutiu imediatamente nas redes sociais e na imprensa internacional.
Denúncia europeia e pressão sobre a Fifa
A denúncia na Comissão Europeia pode ter consequências significativas para a Fifa. Se considerada procedente, a entidade pode ser obrigada a revisar sua política de preços e distribuição de ingressos, além de enfrentar multas pesadas. O secretário-geral da Fifa, Mattias Grafström, já sinalizou que a entidade está disposta a “reavaliar” os valores, mas não deu prazos concretos.
Enquanto isso, a venda de ingressos segue em ritmo acelerado. Até o momento, aproximadamente 5 milhões dos 7 milhões de entradas disponíveis foram comercializadas, conforme dados da própria Fifa. A alta procura, no entanto, não diminui as críticas sobre a elitização do evento. A declaração de Trump adiciona um novo capítulo à polêmica e coloca ainda mais pressão sobre a organização do torneio, que ocorrerá em 16 cidades dos EUA, Canadá e México.
A situação expõe um dilema central: como equilibrar a imensa demanda global com a acessibilidade financeira? Enquanto a Fifa celebra recordes de receita, torcedores comuns se veem cada vez mais excluídos do maior espetáculo do futebol. A intervenção de um chefe de Estado, ainda que simbólica, amplifica o debate e pode forçar mudanças concretas antes de a bola rolar.











