A explosão dos custos de construção, turbinada pela guerra no Irã e pelo salto do petróleo, tornou-se a principal vilã das construtoras listadas na B3. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), disparou para 1,04% em abril de 2026, o maior patamar mensal desde 2022, comprimindo margens e derrubando ações do setor.
O conflito no Oriente Médio pressiona materiais como concreto, cimento, PVC e diesel, elevando fretes e insumos. Um estudo preliminar da FGV estima que a guerra pode adicionar até 4 pontos percentuais ao índice cheio do ano, levando-o a quase 10%. O INCC-M acumulado em 12 meses já estava em 6,28% em abril, e a tendência de alta preocupa.
Em meio a esse cenário, analistas do Itaú BBA calculam que altas de 40% a 50% no petróleo — como as observadas com o Brent saltando de US$ 72 para perto de US$ 120 — elevam os custos da construção em cerca de 10%, reduzindo margens em 1,6 ponto percentual.
O peso do INCC-M e da guerra nos orçamentos
O impacto é mais severo para construtoras menores, com contratos frágeis e renegociações constantes. Conforme a XP Investimentos, o segmento de média renda é o mais vulnerável, dada a sensibilidade da demanda a preços e juros elevados — a Selic está em 14,50% ao ano.
Já as grandes incorporadoras conseguem amortecer parte das pressões por meio de contratos de longo prazo e maior poder de barganha. Ainda assim, o efeito do petróleo comprime as margens de forma generalizada.
‘O segmento de média renda é o mais vulnerável, dada a sensibilidade da demanda a preços e juros elevados’, apontam analistas, conforme divulgado pela XP Investimentos.
Pequenas construtoras na linha de frente da crise
A escalada de custos atinge com mais força as incorporadoras de menor porte. A XP revisou para baixo as projeções de lucro para 2026 em até 15%, com o segmento de média renda sendo o mais penalizado pela combinação de custos elevados e juros altos.
O segmento de baixa renda, ancorado pelo programa Minha Casa Minha Vida, mostra resiliência. Dados da XP indicam que ganhos de produtividade e ajustes no programa têm mitigado os efeitos da alta de materiais.
No entanto, a FGV projeta que o INCC-M, que acelerou para 1,04% em abril, terá um impacto adicional de 4 pontos percentuais no índice cheio do ano, pressionando todos os perfis de incorporadoras.
Ações caem, mas podem esconder pechinchas
A derrocada recente das ações de construtoras na B3 reflete um pânico com a explosão de custos, mas analistas do Itaú BBA enxergam valuations atrativos para investidores com estômago. Em relatório, o banco destaca que grandes incorporadoras com diversificação geográfica e foco em baixa renda são as preferidas para surfar uma eventual recuperação.
O segmento de média e alta renda, contudo, acende alertas. ‘O risco maior está em empresas muito expostas a contratos de médio/alto padrão e com alavancagem elevada’, aponta o Itaú BBA.
Apesar do cenário adverso, a forte queda das ações já precificaria parte desses riscos, abrindo janela para posições seletivas. O Minha Casa Minha Vida segue resiliente, enquanto incorporadoras de maior porte conseguem diluir pressões de frete, concreto e aço. Já as pequenas construtoras sofrem com contratos frágeis e renegociações constantes, o que eleva o risco de execução.











