Um bebê de 1 ano e 4 meses morreu na noite de domingo (3 de maio de 2026) após ser atropelado pelo próprio pai durante uma manobra na garagem da residência da família, em Chapecó, Santa Catarina. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a conduta do pai, que não percebeu a criança atrás do veículo.
O caso reacende o alerta para um tipo de acidente doméstico que, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, está entre as principais causas de morte evitável na primeira infância. Dados do Registro Nacional de Sinistros e Estatísticas de Trânsito (Renaest) mostram que 4.386 crianças e adolescentes de até 17 anos morreram no trânsito brasileiro entre 2018 e novembro de 2025, em 136.122 ocorrências.
Apenas em 2024, 958 óbitos de 0 a 14 anos foram registrados, conforme o Portal do Trânsito. A tragédia em Chapecó ilustra um risco subestimado em ambientes residenciais, onde a falta de supervisão e a visibilidade limitada do motorista transformam garagens em pontos críticos.
Investigação apura negligência e falta de supervisão
A Polícia Civil de Santa Catarina apura a conduta do pai como possível negligência, uma vez que a criança estava atrás do carro sem supervisão adequada. A identidade da vítima circulou como José Valentin Salvagni em veículos locais, mas a corporação não confirmou oficialmente o nome.
Até o momento, não foram divulgados resultados de teste de alcoolemia nem depoimentos de testemunhas. A investigação pode levar meses, mas especialistas reforçam que a prevenção exige supervisão constante e ambientes seguros, especialmente em áreas de manobra.
‘Acidentes domésticos são a principal causa de morte de crianças de 1 a 14 anos no país’, alerta a Sociedade Brasileira de Pediatria. A entidade destaca que quedas, queimaduras e atropelamentos em residências respondem por milhares de óbitos anuais, muitos evitáveis com medidas simples de segurança.
Números nacionais revelam escala do problema
Os dados do Renaest indicam que o risco de morte no trânsito varia conforme a faixa etária, mas atinge de forma trágica os mais vulneráveis. Em 2024, 958 crianças de 0 a 14 anos perderam a vida, número que integra um quadro mais amplo de 4.386 vítimas fatais entre 0 e 17 anos desde 2018.
A Criança Segura, organização que monitora acidentes com menores, registrou uma redução de 10% nas mortes acidentais de 0 a 14 anos entre 2014 e 2015, passando de 4.319 para cerca de 3.887 óbitos. Apesar da queda, o patamar permanece elevado e expõe a necessidade de políticas públicas e conscientização.
Garagens são armadilhas silenciosas para crianças
Garagens residenciais são áreas de alto risco para crianças pequenas, especialmente durante manobras, devido à visibilidade limitada do motorista. A ONG Criança Segura reforça que a supervisão constante é indispensável nesses espaços.
‘A criança nunca deve ficar sem supervisão em áreas de circulação de veículos’, orienta a entidade. Dispositivos como câmeras de ré e sensores de estacionamento são recomendados para mitigar o perigo, mas muitos lares ainda carecem desses equipamentos.
A tragédia em Chapecó reforça a urgência de medidas preventivas dentro de casa, como a instalação de barreiras físicas e a adoção de rotinas de verificação antes de manobrar. Pequenas ações podem evitar desfechos irreversíveis.











