Às vésperas de divulgar o balanço do primeiro trimestre, a ação preferencial do Bradesco (BBDC4) entrou em correção técnica, negociando abaixo de R$ 20 e acendendo o alerta sobre a sustentabilidade da recuperação do banco em um cenário de juro alto. O papel fechou a R$ 19,17 na segunda-feira, 5 de maio, e, apesar da alta de 1,57% no pregão, permaneceu abaixo das médias móveis de 9 e 21 dias — sinal clássico de viés de baixa no curto prazo, conforme análise técnica.
O Índice de Força Relativa (IFR) diário estava em 42,92 pontos, zona neutra que não indica exaustão vendedora, mantendo a pressão sobre o ativo. Os suportes imediatos estão em R$ 18,78 e R$ 18,11; para reverter a correção, o papel precisaria romper resistências em R$ 19,69 e R$ 20,94 e mirar a máxima histórica de R$ 21,78, registrada em janeiro.
A correção ocorre a despeito de resultados recentes sólidos: em 2025, o Bradesco lucrou R$ 24,65 bilhões, alta de 26,1% sobre 2024, e o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) atingiu cerca de 15% no quarto trimestre, acima do custo de capital. O guidance moderado do banco para 2026, porém, levanta dúvidas sobre a continuidade dessa trajetória em um ambiente de Selic a 14,50%, que comprime margens e torna o setor bancário mais sensível a surpresas.
Projeções para o balanço do 1T26 e o peso da Selic
O mercado projeta lucro líquido recorrente de aproximadamente R$ 6,7 bilhões para o primeiro trimestre de 2026, segundo estimativa do Banco do Brasil Asset (BBA). O número representaria leve alta sobre os R$ 6,5 bilhões registrados no quarto trimestre de 2025, mas a confirmação desse patamar é crucial para sustentar a recuperação das ações.
A Selic a 14,50% comprime as margens financeiras e encarece o crédito, reduzindo a demanda e aumentando a inadimplência potencial. O Bradesco tem mostrado melhora na qualidade da carteira de crédito, mas o cenário macroeconômico exige cautela.
‘A recuperação da carteira de crédito e o ROE acima do custo de capital são pontos de inflexão, mas o guidance conservador para 2026 mantém o mercado em alerta’, avalia o Safra, que vê potencial de valorização de 23% para BBDC4, com preço-alvo de R$ 24.
Recomendações de compra em meio à correção
A correção técnica contrasta com a visão positiva de bancos de investimento. O UBS BB elevou o preço-alvo do papel após o balanço do quarto trimestre de 2025 e manteve recomendação de compra. O Banco Safra também sustenta indicação de compra, com preço-alvo de R$ 24, o que embute potencial de alta de 23% sobre o fechamento de 5 de maio.
Ambas as casas destacam a recuperação da carteira de crédito e o ROE acima do custo de capital como pontos de inflexão. O ROE atingiu cerca de 15% no quarto trimestre de 2025, bem acima dos 10,5% de um ano antes, e a expectativa é de que se mantenha nesse patamar no primeiro trimestre de 2026.
A correção atual, que levou o papel a operar abaixo das médias móveis de curto prazo, pode representar uma janela de entrada para investidores com horizonte de médio prazo — desde que o balanço desta quarta-feira não frustre as projeções. A confirmação do lucro ao redor de R$ 6,7 bilhões, aliada a sinais de continuidade na melhora da qualidade do crédito, seria suficiente para reacender o apetite pelo ativo, na avaliação de analistas.
O que esperar do balanço e os próximos passos
O balanço do primeiro trimestre de 2026 será divulgado nesta quarta-feira, e os investidores estarão atentos não apenas ao lucro, mas também à evolução da margem financeira, às provisões para devedores duvidosos e às projeções atualizadas da administração. Qualquer desvio em relação às estimativas pode ampliar a volatilidade do papel.
O Bradesco tem conseguido reduzir despesas com provisões e melhorar o mix de crédito, mas o custo do risco ainda é um ponto de atenção. A manutenção do ROE em patamar elevado e a disciplina de capital serão fundamentais para sustentar a recuperação das ações em um ano de juro alto e crescimento econômico moderado.











