A Petrobras anunciou em 23 de abril de 2026 que não exercerá os direitos de preferência e tag along na venda da participação da Novonor na Braskem ao fundo Shine I FIP, facilitando a transferência do controle da petroquímica. Em contrapartida, foi firmado um novo acordo de acionistas que prevê controle compartilhado e decisões por consenso entre Petrobras e Shine, segundo a Petrobras.
A Braskem enfrenta uma grave crise financeira, com prejuízo líquido de R$ 10,9 bilhões em 2025 e dívida líquida superior a R$ 11 bilhões, conforme relatório financeiro da empresa. Esses números pressionam a sustentabilidade da maior petroquímica da América Latina, tornando a reestruturação acionária estratégica para sua sobrevivência, de acordo com o relatório financeiro da Braskem.
Após a operação, a Petrobras mantém 36,1% do capital total e 47% do capital votante da Braskem, enquanto o fundo Shine terá 34,3% do capital social total e 50,1% do capital votante. A Novonor reduz sua participação para 4%, conforme documento oficial da Petrobras e dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O fundo Shine é assessorado pela IG4 Capital, gestora especializada em empresas endividadas e em reestruturação financeira, que adquiriu cerca de R$ 20 bilhões em dívidas da Novonor lastreadas em ações da Braskem, operação que viabilizou a venda, segundo a Petrobras.
O novo acordo de acionistas estabelece que todas as decisões do conselho e da assembleia geral da Braskem dependem de consenso entre Petrobras e Shine, o que pode dificultar a governança em meio à crise, conforme o documento oficial da Petrobras.
Impactos da mudança na governança da Braskem
A mudança no controle acionário da Braskem pode afetar diretamente a operação local da empresa, que é a maior petroquímica da região de Piracicaba, influenciando decisões sobre investimentos, políticas ambientais e manutenção de empregos, segundo análise da Petrobras e relatórios financeiros da Braskem.
A Braskem enfrenta passivos ambientais significativos, especialmente relacionados à mineração de sal em Maceió (AL), que pressionam sua recuperação financeira. A dívida inclui esses passivos, o que torna a atuação do novo controlador Shine e sua estratégia de reestruturação um fator crítico para o futuro da empresa, conforme relatório financeiro da Braskem.
Contexto macroeconômico e desafios futuros
O cenário macroeconômico brasileiro, com a taxa Selic em 14,75% e o dólar cotado a R$ 4,95 em 23 de abril de 2026, eleva o custo de capital da Braskem e dificulta a renegociação de dívidas, segundo dados do Banco Central do Brasil (BCB).
A decisão da Petrobras de abrir mão dos direitos de preferência e tag along pode ser vista como uma estratégia para evitar custos e responsabilidades, mas também implica risco de perda de controle efetivo da empresa, conforme análises do setor financeiro e da própria Petrobras.
A IG4 Capital, apesar de sua experiência em reestruturação, atua em setores regulados e com impacto social, o que gera questionamentos sobre sua abordagem para a Braskem, especialmente diante dos desafios ambientais e sociais da petroquímica, segundo especialistas do mercado financeiro.











