O ex-governador de Goiás e pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, cobrou neste sábado (18) explicações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre suas relações com investigados no caso Banco Master. A declaração, feita a jornalistas, acirra a disputa interna da oposição pela sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026 e expõe a fragilidade do pré-candidato do PL diante das suspeitas de vínculo com o banqueiro Daniel Vorcaro.
A ofensiva de Caiado ocorre em um momento de reconfiguração da direita brasileira. Com Jair Bolsonaro condenado a 27 anos e 3 meses de prisão e em regime domiciliar, a liderança da oposição está em disputa. Flávio Bolsonaro assumiu a candidatura do PL, mas enfrenta questionamentos sobre a proximidade com Vorcaro, ex-controlador do Banco Master — instituição investigada por fraudes contábeis e desvio de recursos. Em 15 de julho, o PIRANOT revelou uma fotografia de 2022 em que o senador aparece ao lado de um segurança de Vorcaro.
Na declaração registrada pelo jornal Valor Econômico, Caiado afirmou que o PT deseja Flávio como adversário no segundo turno “porque tem certeza de que ficará explicando todas essas denúncias”. O ex-governador acrescentou que o senador “tem que se explicar” sobre o caso. A fala é o ataque mais direto de um pré-candidato da oposição a Flávio Bolsonaro desde o início da campanha.
A cobrança de Caiado expõe uma divisão na centro-direita que pode redefinir as alianças para 2026. O PSD, partido do ex-governador, ainda não definiu se lançará candidatura própria ou se apoiará o nome do PL. A pressão sobre Flávio Bolsonaro pode acelerar essa definição, especialmente nos estados onde as duas siglas têm palanques concorrentes.
Investigação do Banco Master e vínculos políticos
O Banco Master é alvo de investigações que apuram fraudes contábeis e desvio de recursos. Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição, é um dos investigados. A relação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro inclui um contrato de financiamento para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador. O valor do contrato não foi divulgado publicamente.
Em junho, o ex-ministro Ciro Gomes já havia sido questionado sobre relações com Vorcaro, conforme mostrou o PIRANOT. O caso ganhou nova dimensão com a entrada de Flávio Bolsonaro no centro das suspeitas, após a divulgação da fotografia de 2022. O PT, por sua vez, aprovou resolução política em 3 de julho cobrando explicações de Flávio sobre o caso, mas sem mencionar o ex-governador da Bahia Jaques Wagner, também citado em reportagens sobre o Banco Master, como revelou o Poder360.
Reações e silêncio do PL
Até a publicação desta reportagem, Flávio Bolsonaro não havia se manifestado sobre a declaração de Caiado. O PL, partido do senador, também não divulgou nota oficial. A ausência de resposta contrasta com a estratégia de Flávio de manter a campanha ativa nas redes sociais — no mesmo sábado, ele divulgou uma carta de Jair Bolsonaro pedindo “união” dos militantes do partido em torno de sua candidatura.
A carta, lida por Flávio em vídeo, não abordou as acusações sobre o Banco Master. O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, criticou o documento e cobrou explicações sobre o contrato com Vorcaro para o financiamento do filme, conforme registrou o Correio Braziliense em 11 de julho. Valadares afirmou que o endosso de Jair Bolsonaro “não responde” aos questionamentos sobre a relação financeira entre Flávio e Vorcaro.
Impacto na corrida presidencial
Pesquisas recentes mostram um cenário competitivo. Levantamento do BTG/Nexus divulgado em 13 de julho apontou Lula com 40% das intenções de voto, à frente de Flávio Bolsonaro, mas com vantagem menor que em meses anteriores, como noticiou o PIRANOT. Já o PoderData de maio indicou empate técnico entre os dois no segundo turno, com cobertura do PIRANOT.
A entrada de Caiado na disputa como alternativa anticorrupção pode fragmentar o eleitorado de oposição. O ex-governador tenta se consolidar como terceira via, mas ainda não diz nas pesquisas nacionais. A estratégia de atacar Flávio pelo caso Master busca atrair eleitores insatisfeitos com o PT e desconfiados do PL. Em maio, o deputado Guilherme Boulos (PSOL) já havia classificado Caiado e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, como “alternativas fracas” para 2026, conforme publicou o PIRANOT.
O impacto da ofensiva de Caiado sobre a aliança entre PSD e PL ainda é incerto. Dirigentes dos dois partidos avaliam que a declaração pode dificultar negociações regionais, mas não deve romper a frente ampla de oposição a Lula. A próxima pesquisa Datafolha, prevista para agosto, deve medir o efeito do caso Master na preferência do eleitorado e indicar se a estratégia de Caiado terá fôlego para ameaçar a liderança de Flávio Bolsonaro na oposição.











